Kassab oferece área para abrigar Instituto Lula

Em negociação eleitoral com o PT, prefeito envia à Câmara projeto que prevê cessão de terreno municipal, em plena cracolândia, ao ex-presidente

DIEGO ZANCHETTA, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h06

Em meio às investidas do PSD para compor uma aliança com o PT nas eleições municipais de outubro, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) enviou ontem um projeto de lei à Câmara Municipal prevendo a cessão de uma área da Prefeitura no centro da cidade ao Instituto Lula. O local fica na Rua dos Protestantes, no coração da cracolândia e dentro do perímetro da concessão urbanística da Nova Luz, que prevê a revitalização de 45 quarteirões no centro de São Paulo.

O projeto foi apresentado ontem à tarde, em reunião entre o prefeito e vereadores da base aliada, e deverá entrar na pauta do Legislativo o mais rápido possível. Desde o ano passado, Kassab tem o apoio de 41 dos 55 vereadores e conseguiu aprovar com agilidade todos os projetos que enviou à Casa.

A área é composta por dois terrenos separados por uma pequena rua, com área total de 4.432 m². Segundo o texto da proposta, a área seria cedida por 99 anos para a entidade fundada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o término do seu segundo mandato.

Lula é o principal defensor da aliança entre as duas legendas, sob a cabeça de chapa do ex-ministro Fernando Haddad (PT). A união, porém, ainda enfrenta grande resistência no diretório municipal do PT. Grande parte dos vereadores petistas transformaram o combate a políticas de Kassab - como a terceirização do atendimento nos postos de saúde e a remoção de favelas no Brooklin para a construção de um túnel - em suas principais bandeiras eleitorais. Com a cessão dos terrenos, Kassab planeja mostrar boa vontade ao partido do ex-presidente e colocar os vereadores petistas em saia-justa no momento da votação.

Oficialmente, Kassab negou que o gesto seja político ou sinalize mais uma tentativa de aliança com o partido que fez oposição ao seu governo entre 2006 e 2011. "É apenas um gesto de gratidão", argumentou o prefeito, que não foi recebido por nenhum dos 11 vereadores petistas. Enquanto Kassab terminava de anunciar a concessão, os petistas deixaram a Câmara para se encontrar com Haddad.

Negociação. Ontem, o presidente do diretório estadual do PT, deputado estadual Edinho Silva, defendeu a aliança com o PSD. "Se quisermos apresentar um projeto com condições de vitória (em 2014), nós temos de ampliar o campo político no Estado."

As conversas para uma aliança com o PSD acontecem de forma adiantada nas cidades do ABC paulista, mais precisamente em São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá e Santo André. No caso de São Bernardo do Campo, berço político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PSD vai apoiar a reeleição de Luiz Marinho. "Política é a arte de aglutinar forças para que você possa ter um projeto político. O projeto se fortalece quando se aglutinam forças", argumenta Edinho.

O partido de Kassab é peça fundamental no projeto do PT de tentar por fim, em 2014, à hegemonia de 20 anos do PSDB no Estado. "Nas principais cidades de São Paulo, a construção política é entre PT e PSD. Isso é real", frisou o petista. / COLABOROU DAIENE CARDOSO

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