Kassab nega 'salto alto' e minimiza críticas de ministros

Ministra Dilma cotada para concorrer à Presidência em 2010, insinuou que Kassab estava subindo 'no salto alto'

Reuters,

10 de outubro de 2008 | 13h37

O prefeito-candidato à reeleição em São Paulo  Gilberto Kassab (DEM) afirmou nesta sexta-feira que espera um segundo turno "muito difícil" contra Marta Suplicy (PT) e avaliou que as críticas feitas a ele por ministros não vão influenciar os votos dos paulistanos.  Veja Também:PTB segue tucanos e declara apoio a Kassab no 2º turno Confira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos Enquete: O resultado das eleições surpreendeu?   "O importante é que qualquer um que se envolva na campanha discuta propostas para a cidade de São Paulo. O importante não é quem está ao lado dela é quem está ao meu lado", disse ele a jornalistas após vistoria em obras da prefeitura no bairro pobre do Grajaú, zona sul da cidade. Na quinta-feira, em ato de apoio a Marta, ministros associaram Kassab à elite e ao conservadorismo. O secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, declarou que o prefeito é um "síndico conservador". A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que o candidato, aliado do governador paulista, José Serra, subiu no "salto alto" por conta da mais recente pesquisa de intenção de voto do Datafolha que o coloca 17 pontos à frente da petista. Kassab negou a acusação. "É uma eleição muito difícil, o eleitor precisa ser muito respeitado", disse o prefeito, repetindo a necessidade de comparar propostas e alianças políticas para que a população "faça uma análise do processo como um todo." "A população vota com isso na cabeça, com as realizações, não com outras coisas", completou ele, que recebeu apoio no segundo turno do PSDB de Serra, do PTB e do PPS. Parte da estratégia da campanha de Marta é ligar Kassab aos ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta, de quem foi secretário de Planejamento. Maluf e Pitta têm ampla rejeição no eleitorado. A campanha petista também vai insistir em falar das raízes do DEM, que tem vários políticos que apoiaram a ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985. "Eu mal tinha nascido", disse Kassab, 48 anos, respondendo à vinculação feita pelos petistas. "A população vai saber avaliar os candidatos adequadamente."  Cuidado O prefeito vistoriou hoje pela manhã obras de urbanização de uma favela em área de manancial no Grajaú, na zona Sul. Cerca de oitenta populares aguardavam a chegada de Kassab na companhia do vereador reeleito Milton Leite (DEM). Minutos antes da chegada de Kassab, cinco cabos eleitorais com coletes verdes e adesivos da campanha do democrata tentaram se aproximar do grupo que o esperava. Foram convidados, no entanto, a sair do local pelo cerimonial da prefeitura que esclareceu a eles ser aquele um evento do prefeito, e não do candidato. O próprio Kassab deu um puxão de orelha em um grupo de populares que começava a cantar seu jingle. "Aqui não pode. É vistoria oficial", esclareceu o prefeito. Bastou Kassab deixar a favela, porém, para que um grupo de 17 cabos eleitorais com bandeiras e distribuindo adesivos e bandeirolas tomassem a entrada da comunidade. Caminhada Depois do evento oficial, Kassab fez uma caminhada de cerca de 15 minutos numa rua do comércio de Campo Belo, zona sul. A vice em sua chapa, Alda Marco Antonio (PMDB), e outros correligionários também acompanharam o evento de campanha. Eles tomaram café em uma padaria. Dezenas de pessoas pararam o prefeito para tirar fotos e cumprimentá-lo. Um popular tentou reclamar da gestão da ex-prefeita e atual adversária Marta Suplicy (PT). Mas o democrata esquivou-se de qualquer comentário e encaminhou a reclamação para um assessor. (Com Carolina Freitas, da AE)

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