Kassab já busca nova opção eleitoral

Se o nome de Afif não vingar, prefeito trabalha para ter Meirelles como candidato e prepara também Alexandre Schneider, da Educação

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h05

Diante do impasse de um acordo eleitoral com o PSDB em torno do vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD) como candidato à Prefeitura em 2012, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, elogiou ontem o seu secretário de Educação, Alexandre Schneider, ao afirmar que ele seria "um grande prefeito".

"É uma pessoa qualificada, já foi secretário adjunto de governo, quer continuar na vida pública. Não tenho dúvida nenhuma de que um dia ele poderá ser prefeito e, se for, será um grande prefeito", afirmou Kassab ontem em entrevista à TV Estadão.

Caso não haja o acordo com os tucanos, o prefeito trabalha para que Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, saia candidato pelo PSD. Ocorre que o Meirelles tem resistido à proposta. Schneider, então, passou a ser apontado como uma opção.

"Nós temos efetivamente muito a mostrar na educação. Se tem algo de que nos orgulhamos, são esses resultados. Schneider é o que ficou mais tempo na secretaria, quase sete anos, por sua qualidade, inteligência e identidade com o tema", disse o prefeito em relação ao secretário, que migrou do PSDB para o PSD. Os pré-candidatos do PMDB, Gabriel Chalita, e do PT, Fernando Haddad, também tem a educação como foco principal de atuação.

O prefeito quer um candidato próprio para defender o seu legado. Petistas e tucanos, por exemplo, já ensaiam bombardear a atual gestão na campanha.

O PSDB do governador Geraldo Alckmin quer a aliança com Kassab, desde que seja com um tucano na cabeça de chapa. Mas o acordo proposto pelo prefeito segue em outra direção: a aliança seria com Afif na cabeça de chapa em troca do apoio do PSD à reeleição de Alckmin em 2014. A proposta é vista com desconfiança no Palácio dos Bandeirantes.

O prefeito falou sobre Schneider ao comentar o déficit de vagas nas creches. Disse que sua gestão é "diferenciada". "Talvez nenhuma outra, em nenhum lugar do mundo, tenha feito em criação de vagas como a nossa." Foram criadas 70 mil. Mas o déficit atual é de 174 mil.

Aliança. Kassab defendeu a aliança com o PSDB, mas não disse se aceitaria mudar os termos do acordo proposto: "Temos no começo do ano um momento propício para definir essa questão. Nossa ideia é no mês de janeiro retomarmos essas discussões e conversas com diversos parceiros para que em fevereiro possamos sacramentar a decisão e iniciar março com o nosso pré-candidato".

As prévias do PSDB, marcadas para março, causam desconforto em setores da sigla que querem o acordo com Kassab. Para ele, não há problema na disputa. "Esse processo pode ajudar na aliança", afirmou sem especificar de que maneira ajudaria.

Sobre a resistência do acordo entre aliados de Alckmin, afirmou: "A manifestação primeira que qualquer líder faz, e não é diferente no meu partido, é que em eleição majoritária tem candidatura própria. Seria estranho se fosse diferente. Mas o conjunto, a direção do partido se posicionar, ainda não vi", disse, ao classificar como "manifestações isoladas" as declarações contra.

Doações. Kassab disse que o PSD já está atrás de doadores para financiar o funcionamento da máquina partidária. "Agora estamos no final do ano, tem doações, sim, porque o partido pode já receber doações. Agora entra como qualquer outro partido. Será feita a prestação de contas."

O prefeito afirmou que o PSD está sendo mantido com recursos de "natureza pessoal". Questionado se colocara dinheiro próprio, afirmou: "Não, muito pouco. Alguma viagem ou uma refeição. Tudo foi custeado com doações pessoais, o que é perfeitamente legal". Kassab não disse qual o valor gasto para montar o PSD, mas afirmou que o custo foi " bastante baixo". O prefeito afirmou que com os recursos de doações são bancados os escritórios do PSD em São Paulo e Brasília.

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