Kassab enfrenta protesto em visita a obras de CEU

Um grupo de 40 pessoas recebeu com gritos de "mentiroso" o prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), que fez uma visita na manhã de hoje às obras do Centro Educacional Unificado (CEU) Vila Formosa, na zona leste. O CEU tornou-se o pivô de uma polêmica entre Kassab e sua adversária, Marta Suplicy, do PT. A petista duvida da promessa do candidato de que a obra será entregue em fevereiro de 2009 e chegou a ser barrada ao tentar visitar o terreno na terça-feira. A população reivindicava mais rapidez na conclusão do projeto, que ainda está na fase de terraplenagem.Os manifestantes se concentraram em frente a uma casa de dois pisos de onde Kassab fez, à distância, uma vistoria na obra. Na varanda, de onde se avistava o canteiro de obras, o prefeito mostrou a jornalistas a planta do CEU e reafirmou que o prédio com salas de aula para 2 mil estudantes ficará pronto dentro do prazo. Da calçada, os manifestantes gritavam em coro para que o prefeito descesse.Kassab, no entanto, passou longe do terreno cheio de terra e pedras, onde deve ser erguida a escola. Assim que saiu da casa, o prefeito entrou no carro. Enquanto Kassab deixava o local, manifestantes se aproximaram do veículo gritando, batendo nos vidros e na lateral do carro. Dez minutos depois, o vice-governador do Estado, Alberto Goldman (PSDB), deixou o canteiro de obras. Ele disse ter ido ver o andamento da construção de uma escola técnica que funcionará junto ao CEU e negou que sua visita tivesse sido programada junto com a de Kassab.Apesar de negarem participação na campanha de Marta, as pessoas que protestavam contra Kassab passaram a gritar o nome da petista assim que o prefeito deixou o local. A partir daí começaram a surgir em meio a eles bandeiras vermelhas da candidata do PT. Uma mulher distribuía panfletos da petista e uma perua tocando o jingle de Marta passou pelo menos duas vezes em frente à obra.Diante da confusão, o prefeito acusou a candidata de ter feito uma "pegadinha" ao visitar e gravar imagens da obra na terça-feira, afirmando que a petista sabia que o compromisso havia sido adiado para hoje. "É uma pegadinha dela para iludir o eleitor, uma jogadinha para pôr na TV e ficar a imagem de que nós não viríamos aqui ou que não iríamos entregar a obra", afirmou Kassab. "Minha agenda foi divulgada. Taí a manifestação dos militantes do seu partido. Onde ou vou, eles me acompanham", disse. Esquivou-se, porém, de responder se o protesto poderia fazer parte da estratégia da petista. "É um direito do eleitor se manifestar", limitou-se a comentar.CassaçãoKassab reagiu com tranqüilidade ao parecer do Ministério Público de São Paulo favorável à cassação de sua candidatura, divulgado ontem. O MP apontou uso da máquina pública em um evento para repasse de verbas da Prefeitura para o Metrô do Estado, com participação do prefeito e do governador José Serra (PSDB). Na ocasião, Kassab entregou um grande cheque simbólico a Serra de R$ 198 milhões.O pedido de impugnação do democrata partiu da campanha de Marta, e ainda não foi julgado pela Justiça Eleitoral. "Faltavam esclarecimentos do Metrô, que foram encaminhados (à Justiça) depois da manifestação (do MP). Com os esclarecimentos, não terá nenhum problema", disse o prefeito, que negou qualquer temor em ter sua candidatura cassada. "Não usamos a máquina. Não foi festa. Foi um evento administrativo. O cheque é o simbolismo para a transferência de recurso."O candidato do DEM comemorou ainda as pesquisas de intenção de voto divulgadas ontem, que apontam sua possível vitória nas eleições. Ele voltou a relacionar os índices de aprovação da gestão à possível boa votação. Depois da tumultuada vistoria às obras do CEU Vila Formosa, Kassab adiantou uma caminhada prevista para o meio dia em Vila Matilde em quase meia hora. Durante o rápido percurso, ouviu de uma jovem um rap em seu apoio e dançou, sorrindo, ao lado de dois bonecos infláveis de sua campanha, os "Kassabões".

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