Kassab diz que vai colaborar com sucessor na transição

Com cerca de R$ 5 bi em caixa, prefeito defende sua administração e diz que deseja estar 'muito próximo' de petista

WILLIAM CARDOSO, FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h05

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), afirmou ontem à noite, ao chegar ao comitê da campanha do candidato derrotado José Serra (PSDB), no centro, que Fernando Haddad (PT) pode contar já a partir de amanhã com o apoio da Prefeitura para o trabalho de transição. "Eu cumprimento o candidato Haddad e lhe desejo sorte para que construa sua equipe. A Prefeitura, a partir de amanhã, vai estar à sua disposição", disse Kassab.

Por lei, Kassab é obrigado ajudar na transferência de dados e informações para o início da gestão Haddad. As informações sobre o funcionamento da administração e a saúde financeira do Tesouro Municipal são fundamentais para que Haddad comece a executar seu programa de governo. O prefeito deve deixar cerca de R$ 5 bilhões em caixa (contados recursos de operações urbanas) e outros R$ 3 bilhões em contratos de reurbanização de favelas assinados.

Kassab votou ontem pela manhã no Colégio Santa Cruz, Alto de Pinheiros, zona oeste. "Deixamos uma cidade melhor, com recursos em caixa, avanços na saúde e educação."

Ainda "independente", o PSD de Kassab articula-se para ingressar na base do governo Dilma Rousseff e receber a indicação de um ministério. A bancada do partido no parlamento paulistano também deve compor a base de governo de Haddad.

Caberá ao secretário de Governo Municipal, Nelson Hervey Costa, lidar com a equipe de passagem a ser montada por Haddad. Hervey recebeu a tarefa em junho, quando o prefeito regulamentou a lei da transição de governo, aprovada pela Câmara Municipal em 2005. Como Kassab assumiu a Prefeitura de José Serra (PSDB) em 2006 e se reelegeu em 2008, até então não havia tido equipe de transição. Ele manteve o secretariado do tucano.

Pela lei, Kassab deve abrir a Haddad, sempre que solicitado, as contas da Prefeitura, ceder informações sobre o funcionamento dos órgãos públicos e dar acesso ao banco de projetos, até mesmo os que aguardam implementação ou foram interrompidos. E prestar informações sobre os assuntos que demandem atos de Haddad nos cem primeiros dias de governo.

A transição governamental começa quando a Justiça Eleitoral proclamar o resultado do pleito e termina na posse de Haddad.

A tendência é que o vereador reeleito e coordenador da campanha petista, Antonio Donato (PT), lidere a transição. Ele foi assessor especial da ex-prefeita Marta Suplicy (2000-2004) e secretário de Subprefeituras na última gestão do PT. Vereadores da bancada petista, como Alfredinho, veem como "natural" a participação de Donato. O PT também pode requisitar servidores da Prefeitura para compor a equipe. O grupo deve editar os primeiros atos administrativos de Haddad, a serem publicados após a posse. A Prefeitura pode ceder uma sala de trabalho para a equipe de passagem e organizar reuniões com servidores. / COLABOROU GUILHERME WALTENBERG

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