Kassab diz que fica quatro anos e dedica vitória a Serra

Ao lado de governador, prefeito reeleito ressalta que aliança do PSDB e DEM sai fortalecida da urnas

26 de outubro de 2008 | 20h44

O prefeito e candidato do DEM, Gilberto Kassab, diz que ficará os quatro anos no comando de São Paulo e que sua vitória fortalece a aliança do PSDB e DEM. Kassab fez o pronunciamento ao lado do governador do Estado, José Serra, a quem dedicou o sucesso nas urnas. "Tive problema com a morte da minha mãe (em 2006), mas ganhei um amigo, José Serra. Tenho ele hoje como um grande amigo e um grande líder, e dedico a ele essa vitória", afirmou. Em troca, Serra não poupou elogios a Kassab, disse que quer aprofundar as parcerias com a Prefeitura e afirmou que o resultado nas urnas é o reconhecimento da boa gestão do prefeito, afilhado do governador que herdou o comando da capital em 2006 quando Serra saiu para disputar o Estado.  Veja também:TV Estadão: Assista a análises e entrevistas Blog da Eleição: Confira os principais momentos da apuração   Mapa eleitoral do 2.º turno  PMDB leva maior número de prefeituras e será a 'noiva' de 2010 Kassab sai vitorioso e ficará mais 4 anos na Prefeitura de SPGaleria de fotos: 'O dia de Marta'Em disputa apertada, Paes vence Gabeira no RioMárcio Lacerda, do PSB, é eleito prefeitoGeografia do voto: desempenho dos partidos no País Cobertura completa das eleições 2008 Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos Questionado sobre se poderia "alçar novos vôos", após ter vencido a eleição na maior cidade do País, Kassab respondeu apenas que continuará atuando pelos próximos quatro anos como prefeito. "Estou feliz pelo reconhecimento da cidade", afirmou ele, que recebeu mais de 3,7 milhões de votos (a apuração ainda não foi finalizada na capital paulista). De acordo com o prefeito,a população da cidade continuará a aprovar o seu trabalho nos próximos anos. "Serão mais quatro anos de muito trabalho."  A adversária Marta Suplicy (PT) teve 39,27%. Em rápido pronunciamento, a petista admitiu a derrota e diz que ligou para Kassab para parabenizá-lo. Com ar abalado, ela economizou palavras e disse apenas que é preciso cobrar os compromissos do novo prefeito: "Desejo o melhor para nossa cidade".      Campeão de votos Kassab (DEM), obteve os melhores números na disputa deste domingo do que seus dois antecessores que saíram vitoriosos em 2000 e 2004, tanto em termos absolutos quanto em uma comparação relativa. Kassab foi eleito com 60,72% dos votos válidos. Em 2000, a candidata do PT, Marta Suplicy, saiu vitoriosa com 58,51% das escolhas. Há quatro anos, o tucano José Serra levou a vaga na Prefeitura com 54,86% dos votos. Em termos absolutos, Kassab também superou os dois antecessores. A apuração na capital paulista revelou que ele obteve 3.790.558 votos. A marca é superior à que obteve a candidata do PT ao cargo, Marta Suplicy, em 2000 (3.247.900 votos). Na ocasião, ela venceu o segundo turno da eleição, que disputava com o candidato do PP, Paulo Maluf (2.303.508). Marta havia atingido 58,51% dos votos, enquanto Maluf, 41,49%. O total de votos recebidos por Kassab também é superior ao obtido pelo candidato do PSDB, José Serra, há quatro anos (3.330.179). Nessa ocasião, ele venceu a disputa na capital paulista e contou com o atual prefeito na chapa, então como vice. Na oposição, Marta Suplicy havia recebido 2.740.152 votos. Esses montantes representaram a fatia de 54,86% e 45,14%, respectivamente.  Vitória do DEM A vitória do prefeito Kassab na eleição de domingo em São Paulo tem um significado especial para o partido. Enfraquecido em todo o País, inclusive em redutos históricos do Nordeste, o DEM ganha um novo impulso e um novo líder. Longe de se caracterizar como projeto unilateral, a sigla divide o sucesso com o PSDB, tendo no horizonte a sucessão presidencial de 2010. Tradicional aliado dos tucanos, o DEM quer manter seu peso político na chapa de oposição que disputará a eleição de 2010. A aliança histórica do DEM com o PSDB passará, a partir da eleição, necessariamente pela apreciação de Kassab, que soube costurar o acerto com o governador José Serra, de quem foi vice na eleição de 2004, e levar a gestão nos moldes determinados pelo parceiro partidário.  "Kassab vai se tornar um líder nacional, mas diferente. É gente nova, não é produto do ciclo militar. Será líder de um novo ciclo", disse à Reuters o ex-governador Cláudio Lembo, tradicional integrante do PFL (antigo nome do DEM). Lembo acredita que uma das principais características de Kassab, que conquistou Serra, é a sua lealdade não apenas ao governador como a seus projetos na prefeitura. "Tanto que aceitou e manteve os secretários do PSDB", analisou Lembo.  Faz parte da estratégia dos apoiadores de Kassab o cumprimento do mandato de quatro anos na prefeitura, sem a opção da candidatura ao governo do Estado em 2010. A medida também é uma das etapas para o projeto de Serra rumo à Presidência da República. "Não é uma vitória do partido. A vitória é da aliança comandada pelo Serra", declarou Guilherme Afif, articulador da candidatura Kassab junto com o presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen. Foi por intermédio de Afif, secretário do Trabalho do governo estadual, que Kassab, hoje com 48 anos, entrou para a política, em 1985. O PSDB aderiu formalmente à eleição de Kassab no segundo turno, depois da derrota do candidato da legenda, Geraldo Alckmin. A ala da sigla liderada por Serra, no entanto, esteve todo o primeiro turno ao lado do prefeito.  O Democratas, novo nome do PFL a partir de 2007, elegeu apenas um governador nas eleições de dois anos atrás, no Distrito Federal. Também viu reduzida sua base no Congresso, de onde exerce seu principal papel, o de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido elegeu 65 deputados em 2006, número que caiu para 54 hoje, com as trocas de legenda. Eram 84 em 2002 e 105 quatro anos antes. Para dirigentes do partido, a situação levou à renovação realizada no ano passado, com troca de nome e de presidente. A mudança, no entanto, ainda não se fez sentir fora de São Paulo.  Nas eleições municipais deste ano, o DEM não conseguiu levar ao segundo turno em Salvador o candidato Antonio Carlos Magalhães Neto, depois de ter perdido o governo do Estado para Jaques Wagner, do PT. A Bahia era o principal reduto da legenda. No Rio de Janeiro, a candidata do partido não atingiu 4% dos votos, depois que Cesar Maia e aliados ocuparam a prefeitura por quatro gestões. "O partido perde 4 milhões de eleitores no Rio e ganha 8 milhões em São Paulo", comemora Rodrigo Maia, filho de Cesar. (Com Reuters)

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