Kassab articula controle de base governista na Câmara

Mesmo com possível vitória de Haddad, prefeito quer manter liderança do Legislativo paulistano pelo PSD

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2012 | 03h05

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, atua para manter o controle da base governista na Câmara Municipal, independentemente do partido que vencer a eleição de domingo. Kassab, aliado do tucano José Serra, encontrou-se com vereadores e discutiu o controle da maioria no Legislativo paulistano, mesmo num cenário de vitória do candidato do PT, Fernando Haddad.

A quatro dos sete vereadores do PSD, em reunião no sábado à noite, o prefeito deixou claro que é ele quem vai mandar na bancada, a segunda maior da Câmara, a partir de 2013. "O acordo federal do partido sempre vai ser respeitado. Temos como objetivo político ajudar a governar, e não a destruir. Seja quem for o vencedor", afirmou ao Estado o vereador Marco Aurélio Cunha, líder do PSD na Câmara.

Kassab, que com o PSD controla a terceira maior bancada no Congresso, deve ganhar ainda neste ano um ministério no governo da presidente Dilma Rousseff. A aliados disse que poderá ter até dois ministérios.

Kassab não pretende manter influência apenas sobre a bancada de seu partido no próximo ano. Com base governista formada hoje por 42 dos 55 vereadores, o prefeito ajudou a reeleger parlamentares do PTB, do PV e do PR - ele executou emendas de projetos que viraram bandeira de campanha de alguns vereadores, como a construção do hospital gratuito para cães, vitrine de Roberto Tripoli (PV), o vereador mais votado de São Paulo e líder de governo, e os parques na orla das represas Billings e Guarapiranga, usados nas campanhas de Milton Leite (DEM) e Antonio Goulart (PSD).

De contrapartida, o prefeito deve pedir apoio de seus aliados para a reeleição do presidente José Police Neto (PSD), o que manteria o prefeito no comando do Legislativo paulistano. "Ele já começou a articular sua base para tentar negociar com o futuro prefeito a presidência da Casa. O Kassab precisa de poder político para chegar forte em 2014. E todo vereador gostaria de ter um negociador habilidoso como Kassab para negociar com o Executivo", afirmou um parlamentar do PTB próximo do prefeito, que pediu sigilo do nome.

O PT também já conta com o PSD e outras siglas da base kassabista para formar sua base. O partido dá como certa a composição com o partido do prefeito e com o PR e o PV, caso seja confirmada a vitória de Haddad no domingo.

Ontem, na reunião de coordenação de campanha do petista pela manhã, alguns líderes já falavam em abrir diálogo com a bancada do PSD na Câmara assim que for conhecido o resultado no pleito no domingo. / COLABORARAM JULIA DUAILIBI e BRUNO BOGHOSSIAN

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