Kassab anuncia apoio à reeleição de Dilma em 2014

Prefeito de São Paulo foi cobrado por parlamentares do PSD para definir já a adesão do partido na base aliada do governo federal

EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2012 | 02h01

O prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, anunciou ontem seu apoio a uma possível reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e defendeu que o debate a ser feito no partido é sobre 2014. "O importante é que tenhamos uma definição do partido do que vamos fazer em 2014", disse.

Kassab foi recebido pela presidente em um jantar na segunda-feira e passou o dia de ontem em Brasília, onde foi homenageado na Câmara e almoçou com a bancada de seu partido. Os parlamentares do PSD cobraram do prefeito a adesão imediata ao governo da presidente Dilma com a consequente ocupação de algum ministério.

A pressão visa a antecipar o calendário definido por Kassab que previa, em sintonia com a presidente, uma definição apenas no próximo ano.

"Nesse momento não tem sentido (assumir ministério). Definido nosso posicionamento (para 2014), caso seja esse direcionamento em relação ao apoio à presidente, seria uma honra muito grande", ponderou.

Descontentamento. O embarque do novo partido na base aliada do governo de Dilma é esperado desde sua fundação. O PSD tem como origem o descontentamento de setores do DEM, que não desejavam mais fazer oposição, e acabou agregando parlamentares governistas insatisfeitos em seus partidos.

Kassab promoveu a aproximação com o PT em diversos Estados e já há alguns meses a discussão é sobre qual ministério caberá ao novo partido.

Segundo aliados de Kassab, a intenção seria aumentar o capital político para tentar conseguir uma pasta de maior relevo e capilaridade, como Cidades ou Transportes. Outros parlamentares, porém, reclamam que o partido já tem arcado com o ônus de apoiar o governo nas votações no Congresso e deveria receber logo o "bônus" de ser da base, ainda que em uma pasta menor, como a da Micro e Pequena Empresa, cuja criação ainda está em tramitação no Congresso.

Proposta direta. A cobrança por uma adesão imediata foi feita a Kassab no almoço com os parlamentares federais. O prefeito não respondeu aos questionamentos e disse aos presentes não ter havido ainda nenhuma proposta direta do governo. Após o encontro, o deputado Sérgio Brito (BA) externou a posição dos deputados: "A bancada quer uma definição, precisamos saber se somos base ou oposição".

Para alguns deputados da legenda o calendário de Kassab está dissociado das necessidades da bancada. Na visão deles, a indefinição só interessa ao prefeito, que mantém o comando total do partido e aumenta seu capital político. Esses parlamentares destacam o recebimento de cobrança em suas bases sobre qual a posição do partido.

Afirmam esperar um posicionamento nacional para articular as estratégias para suas reeleições em 2014 ou até voos mais altos, como candidaturas ao Senado e a governos estaduais.

Na visão deles, ao protelar o apoio, Gilberto Kassab estaria preocupado apenas em amarrar o PT a seus projetos pessoais em São Paulo. O prefeito teria como desejo disputar uma vaga ao Senado ou ser vice em uma chapa ao governo liderada por um petista.

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