Kassab agora elogia ministro e defende aliança com o PT

Prefeito, que também negocia com PSDB, diz não haver razão para descartar acordo com a sigla que faz oposição a ele na capital

FELIPE FRAZÃO, JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2012 | 03h08

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), fez ontem um aceno público ao PT ao dizer que não vê barreira para compor uma chapa com o partido nas eleições municipais. Aproveitou para elogiar a presidente Dilma Rousseff, o presidente do PT, Rui Falcão, e até a ex-prefeita e senadora petista, Marta Suplicy, de quem foi adversário em 2008.

A declaração ocorre no momento em que Kassab aguarda uma resposta sobre o apoio do PSDB a um candidato do seu partido na disputa municipal e é interpretada no meio político como um ultimato aos tucanos.

"O PT escolheu um bom candidato, então não tem por que descartamos uma aliança com o PT como alternativa. É evidente que isso passa por entendimentos e pela vontade de o PT de fazer uma aliança", disse Kassab em referência ao candidato petista, o ministro da Educação, Fernando Haddad. "Não tem por que criarmos qualquer barreira em São Paulo", completou.

Em encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva há uma semana, Kassab propôs indicar o vice na chapa de Haddad. O prefeito trabalha com o nome do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles (PSD), que tem boa aceitação no PT. Meirelles, porém, diz não querer se candidatar a prefeito nem a vice. Reiterou isso recentemente a interlocutores. Uma opção apontada no PSD é a vice-prefeita, Alda Marco Antonio.

Apesar do aceno ao PT, Kassab aguarda uma resposta dos tucanos a respeito do acordo proposto no ano passado segundo o qual apoiaria a reeleição de Geraldo Alckmin em 2014 em troca de aliança para lançar o vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD) neste ano. Alckmin vê com desconfiança a proposta, mas publicamente mantém o discurso de união - ele defende a cabeça de chapa para o PSDB e diz a integrantes do partido para "jogarem o jogo" de Kassab.

O prefeito disse haver apenas dois nomes com os quais trabalha para lançar como candidato: Afif e o ex-governador José Serra, em aliança com o PSDB. Ele não mencionou os tucanos que se inscreveram para disputar as prévias, mecanismo que pode indicar o candidato do PSDB.

"Não acontecendo essas duas candidaturas, o partido vai se debruçar em outras soluções", disse Kassab, que trabalha também com o nome do secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider (PSD), em um cenário sem aliança com os tucanos.

Kassab rebateu acusações de que faz pressão no PSDB para fechar o acordo. "Estão falando sobre pastel de vento. A conversa não existiu. Poderia existir."

Ainda sobre o encontro com Lula, Kassab afirmou que tratou de assuntos políticos e disse que não discutiu nomes. "Isso jamais foi discutido. Seria uma deselegância. Existe o momento e o local certo, não num hospital", afirmou. "Conversamos sobre política com 'p' maiúsculo."

Ao ser questionado se Lula teria comentado algo sobre os quadros do PSD, Kassab citou o nome de Henrique Meirelles, que se filiou ao PSD com a recomendação de Lula. "Acho que ele gosta muito do Henrique Meirelles, do Claudio Lembo, do Afif. E sinto que ele tem estima por mim."

Oposição. O PT paulistano, que faz oposição ao prefeito, rechaça a aliança. Kassab, no entanto, disse não ver desconforto em formar uma chapa com seus opositores e fala agora em uma relação respeitosa com o partido. Ao elogiar os petistas, disse, inclusive, que Marta Suplicy "tem sido muito correta com a cidade".

"Uma aliança se faz olhando pra frente. Senão, partidos que tiveram divergências jamais fariam alianças", declarou Kassab.

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