Kassab afirma que plano de líder em pesquisas é 'milícia'

Reagindo à subida do rival do PRB, prefeito esquece o petista Haddad e ataca a proposta de usar segurança privada

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2012 | 03h12

Com o candidato Celso Russomanno (PRB) ampliando a vantagem sobre o tucano José Serra nas pesquisas, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) atacou ontem, pela primeira vez, o líder nas intenções de votos. O prefeito criticou as propostas de Russomanno para a segurança.

"Não quero aqui fulanizar, mas ele diz que quer aproveitar os 300 mil vigias noturnos para trabalhar em conjunto com agentes públicos. Ele está querendo criar uma milícia. Isso é um perigo para a cidade", advertiu o prefeito, referindo-se à declaração de Russomanno dada ao Estado no dia 29. Kassab fez a crítica ao anunciar novas casas de mediação da Guarda Civil Metropolitana (GCM). O próprio Serra, ao participar da série Entrevistas Estadão, disse que a proposta "não tem pé nem cabeça".

Kassab classificou como "uma loucura" a proposta de Russomanno de aumentar o efetivo da GCM. "Ele vai elevar de 6 mil pra 20 mil homens. Isso significa R$ 1 bilhão por ano. Nem a Guarda vai acreditar, muito menos a cidade." O prefeito tinha em mãos um papel com as propostas do candidato do PRB - o "Kassab hard", segundo definiu o prefeito, ao querer fazer um trocadilho com "hard drive". Para Kassab, Russomanno está "sendo mal orientado" e, por isso, faz promessas "difíceis" de serem cumpridas.

Hospitais. Na semana passada, o prefeito poupou Russomanno e usou todas as suas agendas públicas para criticar Haddad. "Estou dando mais uma semana para eles não quererem conversar sobre saúde. Não tem como, é goleada. Eu falo, isso é até triste. Porque o governo do PT não deu prioridade para saúde. Eles preferem túnel, ponte, é uma estratégia, as grandes obras", disse, em vistoria ao Hospital Santo Antônio, que é privado e foi inaugurado no início do ano.

O hospital é um dos cinco que Kassab promete deixar pronto até dezembro. Voltado só para pacientes do SUS encaminhados por unidades municipais, o Santo Antônio foi construído e é gerido pela Beneficência Portuguesa. A Prefeitura, no entanto, diz que articulou para que o hospital que atende só a rede pública reabrisse onde funcionava o antigo Nossa Senhora da Penha.

As visitas a hospitais passaram a acontecer depois que Haddad desafiou Kassab a dizer os endereços das unidades que construiu. Desde então, ele já convocou a imprensa para vistorias no M'Boi Mirim, na zona sul, e para a inauguração de uma unidade de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA) no Hospital Sorocabana, na região oeste. Este deve ser reaberto até o fim do ano.

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