Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Julio Delgado lamenta que PSB esteja como 'biruta' de aeroporto

Vice-líder da sigla na Câmara dos Deputados acredita que a tendência é que o partido libere os Estados e cada um siga o caminho que lhe for mais conveniente, priorizando as alianças regionais

Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 09h36

SÃO PAULO - O anúncio feito na quinta-feira, 12, pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), candidato à reeleição, de apoio à pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após encontro com a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, deve provocar um racha na sigla nas eleições 2018. Em entrevista concedida na manhã de sexta-feira à Rádio Eldorado, o deputado Julio Delgado, vice-líder do PSB na Câmara, lamentou que o partido esteja enfrentando essa divisão interna, pois dirigentes da legenda já haviam manifestado apoio ao pré-candidato do PDT, Ciro Gomes.

Após a declaração pública de Câmara, Delgado acredita que será muito difícil o PSB seguir unido neste pleito e a tendência é que a sigla libere os Estados e cada um siga o caminho que lhe for mais conveniente, priorizando as alianças regionais. "Estamos como biruta (de aeroporto) rodando, isso é muito ruim. Com todo respeito a Paulo Câmara, sabemos que Lula está inelegível. Ficar nessa situação a menos de um mês para a definição das alianças é o pior dos cenários", disse Delgado à Eldorado.

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O vice-líder do PSB disse que é muito difícil, após a declaração de Paulo Câmara, que Estados do Nordeste e o Amapá marchem junto com Ciro Gomes. "Desde que perdemos Eduardo Campos (morto em um acidente aéreo na eleição presidencial de 2014) e que Joaquim Barbosa (ex-presidente do STF) desistiu de ser nosso candidato à Presidência da República, ficamos desorientados", admitiu. Na entrevista, ele insistiu que o caminho mais próximo do campo ideológico da sigla é apoiar Ciro Gomes, mas reconheceu que agora o clima é de instabilidade, sem definição sobre quem apoiar. 

Delgado confirmou o adiamento das reuniões da executiva previstas para a semana que vem, onde no seu entender o partido deveria fechar apoio a Ciro Gomes nessa corrida ao Palácio do Planalto. E disse que é preocupante isso ocorrer às vésperas da convenção da legenda, marcada para o dia 5 de agosto.

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"Estamos numa sinuca de bico", frisou. E lembrou que o partido, no Nordeste, sempre foi mais aliado à esquerda, diferente do que ocorre no Sul e Sudeste. Apesar de prever o racha na sigla, o deputado fez questão de se diferenciar do partido do presidente Michel Temer. "Não temos vocação para ser um MDB, mesmo que sejamos mais um partido nessa sopa de letrinhas, onde é cada um por si e não se faz a diferença em prol do País."

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