'Julgamento tem efeito educativo nos políticos'

Em meio ao julgamento do mensalão e a 10 dias do primeiro turno das eleições, a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, afirma em entrevista ao Estado que acredita no efeito educativo das condenações pelo Supremo Tribunal Federal e da aplicação da Lei da Ficha Limpa para afastar alguns candidatos.

Entrevista com

ALANA RIZZO, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h08

Qual o efeito do julgamento do mensalão nas eleições de 2012?

O julgamento vai mostrar ao Brasil, talvez pela primeira vez, que não se condena só ladrão de galinha. E vai mostrar aos políticos que as coisas estão mudando aqui e que também não é comprando apoio com dinheiro que você vai conseguir governar. Tem um efeito educativo nos políticos e que vai se refletir na população. Você já vê isso concretamente porque tem um candidato que já renunciou. Chegamos a um ponto em que a sociedade não aceita mais e a Lei da Ficha Limpa fecha muito bem. O julgamento mostra que a sociedade não aceita mais essas práticas.

Qual o impacto da Ficha Limpa?

É impressionante como você descobre, com a Lei da Ficha Limpa, o universo dos candidatos. São casos de pessoas condenadas por estelionato, uma quantidade imensa de condenados por tribunais de contas por malversação de dinheiro público, afronta à Lei das Licitações, prejuízo do erário em benefício próprio e também condenados por crimes. A Ficha Limpa deu a chance de conhecermos quem são essas pessoas e por que querem um cargo público. Por exemplo, por que um traficante condenado concorre a uma vaga de vereador? Qual a sua intenção? Tinha um candidato na Baixada Fluminense que responde a 48 processos. Outro em Belfort Roxo tinha 29.

Como vê a influência dos debates religiosos na eleição?

Acho péssimo. No Brasil, é muito clara a separação do Estado da igreja, mas nas eleições a separação desaparece. Começam discussões sobre assuntos que as igrejas atacam, como aborto, união homoafetiva, e os candidatos são compelidos a adotarem posições que nem sempre são as deles.

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