Juízes vão reeditar fichas-sujas nas eleições de 2010

AMB vai adotar mesma metodologia - só vai incluir políticos contra os quais a Justiça já abriu processos

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2008 | 18h43

A Associação dos Magistrados Brasileiros  (AMB) vai reeditar, em 2010, a lista dos fichas-sujas. A nova ofensiva da entidade, que reúne cerca de 14 mil juízes em todo o País, vai abranger os políticos que se candidatarem inclusive à Presidência da República.Também serão alvo do mapeamento os políticos que vão tentar se eleger deputado federal e estadual e senador.   Veja Também:   AMB divulga os 'fichas-sujas'; Maluf é o que tem mais processos   Mozart Valares, presidente da AMB, avalia que a experiência desencadeada este ano "foi um sucesso, extremamente bem sucedida". Ele destacou que a meta era estender a pesquisa a todos os municípios brasileiros, o que não foi possível "por falta de estrutura". Mas para daqui a dois anos, quando o País elegerá os sucessores do presidente e dos governadores e a nova composição do Congresso (deputados federais e parte dos senadores)e das Assembléias, a AMB "vai se preparar melhor para alcançar todos os candidatos".   "Vamos adotar o mesmo rigor e o mesmo zelo que empregamos agora", declarou Valadares, referindo-se à lista que compreendeu candidatos a prefeito nas capitais e nos municípios com mais de 100 mil eleitores. A entidade da toga vai produzir o novo índex e a ele dar publicidade mesmo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) siga o mesmo caminho e divulgue a relação dos folha corrida conforme anunciou o ministro-presidente da corte, Carlos Ayres Brito.   A AMB vai adotar a mesma metodologia - ou seja, só vai incluir na lista os políticos contra os quais a Justiça já abriu processos criminais ou civis por improbidade. Não serão citados os que foram apenas denunciados pela promotoria. "Nenhum candidato citado pela AMB em todo o País negou a existência de processo. O nosso trabalho foi muito bem feito porque evitamos o denuncismo e perseguições de cunho político." "A AMB prestou um grande serviço à sociedade, ao eleitor", acredita Mozart Valadares.   "Não fizemos prejulgamento nem qualquer juízo de valor. Não tentamos induzir o eleitor a votar a favor ou contra qualquer candidato. Apenas repassamos informações importantes. O eleitor é soberano. Diante da informação sobre o candidato ele faz o julgamento. Se foi eleito alguém que estava na relação foi porque o eleitor entendeu que ele está habilitado para o exercício da vida pública. Temos que respeitar a avaliação do eleitor," reitera o magistrado.

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