‘Juíza dos juízes’ diz que não é PSB, é Marina

Ex-corregedora que será candidata ao senado na Bahia afirma que compromisso é com ex-ministra

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2013 | 02h12

Dois dias depois de o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, anunciar a filiação ao PSB da ex-corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon pelo Facebook, a ex-ministra Marina Silva fez questão de ressaltar que Eliana, na verdade, está se filiando à Rede Sustentabilidade. A mensagem, em tom de recado, foi divulgada na sexta-feira, também na rede social.

"(Eliana) faz, neste momento, uma filiação política à Rede e uma filiação democrática e transitória no PSB", escreveu Marina.

A ex-ministra e seus aliados decidiram entrar no PSB em outubro, depois de o Tribunal Superior Eleitoral negar o pedido de criação da Rede. Está acordado entre os dois grupos que os integrantes que se filiaram ao partido de Campos poderão migrar para a Rede quando a nova legenda sair do papel, o que deve acontecer após as eleições de 2014.

"Embora a Rede ainda seja um partido clandestino em plena democracia, como tenho dito desde que o registro da Rede foi negado pelo TSE, ela (Eliana) chega para nos ajudar na construção do nosso programa e dessa nova ferramenta para a ressignificação da política no Brasil", afirmou a ex-ministra.

Em sua mensagem no Facebook, Campos sequer mencionou o nome da Rede. Exaltou apenas as qualidades de Eliana. "Quando assumiu o cargo de corregedora no Conselho Nacional de Justiça, Eliana conseguiu uma vitória que muitos julgavam impossível: aumentar a moralização e a eficiência da Justiça no Brasil", disse o provável candidato à Presidência.

Primeira mulher a integrar o Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana ocupou o cargo de corregedora do CNJ entre 2010 e 2012 e ficou nacionalmente conhecida depois de declarar que o seu trabalho de fiscalizar o funcionamento do Poder Judiciário estava sendo atrapalhado por "bandidos de toga".

A declaração gerou uma crise no Judiciário e virou os holofotes para Eliana, que defendia investigações mais rígidas diante das suspeitas de irregularidades cometidas por magistrados.

Com seu estilo combativo, colecionou desafetos, que atribuíam a ela projeto de cunho eleitoral, o que sempre negou.

'Compromisso'. Ao Estado, a ex-corregedora disse ter um "compromisso" com Marina e que a filiação à Rede no futuro é uma "questão moral".

Desde que decidiram criar a Rede, o grupo de Marina corteja Eliana. A ex-ministra chegou a declarar que a Rede da Bahia "sonhava" com essa filiação. Campos também sempre sonhou com Eliana. No início do ano, ofereceu a ela a possibilidade de se candidatar a uma cadeira no Senado ou ao governo da Bahia pelo PSB.

O deputado Walter Feldman (PSB-SP), um dos principais articuladores políticos da Rede, diz que não há tensão entre Rede e PSB quanto a esse assunto. Feldman faz questão de ressaltar que agora os dois grupos estão juntos. Para ele, Eliana carrega consigo "a simbologia da ética" e representa o sentimento de mudança pregado pela coligação PSB-Rede.

A ex-corregedora vai assinar, no próximo dia 18, uma ficha de filiação simbólica da Rede. Um dia depois, acontece a entrada oficial ao PSB e o anúncio da sua candidatura ao Senado, para compor a chapa da conterrânea Lídice da Mata, que vai concorrer ao governo baiano.

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