Juiz que mandou prender Pinochet dará consultoria

Impedido de exercer a magistratura em seu país, Baltazar Garzón assessora grupos na Argentina e na Colômbia

O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2013 | 02h06

O juiz espanhol Baltazar Garzón deve se reunir em julho, em Brasília, com integrantes da Comissão Nacional da Verdade. Conhecido mundialmente pela ordem de prisão que emitiu contra o general chileno Augusto Pinochet, responsabilizando-o pela tortura e morte de cidadãos espanhóis no Chile, o juiz vai dar consultoria à comissão na área de tomada de depoimentos de testemunhas de violações de direitos humanos.

Impedido de exercer a magistratura em seu país, por envolvimento num caso de escuta ilegal, hoje Garzón assessora os governos da Argentina e da Colômbia. Em fevereiro reuniu-se com Paulo Sérgio Pinheiro, em Buenos Aires, para tratar da questão brasileira.

Paralelamente às atividades de investigação e tomada de depoimentos, a comissão também já pensou na redação do relatório final, que deve ser entregue à presidente Dilma Rousseff, em 2014. A coordenação do trabalho será feita pelo sociólogo e escritor José Almino de Alencar.

Filho de Miguel Arraes, governador pernambucano que teve seus direitos políticos cassados após o golpe militar de 1964, Alencar presidiu a Fundação Casa de Ruy Barbosa entre 2003 e 2011 e hoje atua como pesquisador da instituição.

O relatório também terá uma versão multimídia, com imagens e som. O trabalho está sendo executado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob a coordenação da historiadora Heloísa Starling.

O objetivo é distribuir o material nas escolas, como parte de um esforço para conscientizar o País sobre os horrores do regime autoritário. "Queremos que seja um antídoto contra qualquer nova tendência ou queda do País para um regime de exceção", diz Pinheiro. "É para derrubar a ideia de que o golpe de Estado foi para salvar a democracia, foi uma revolução libertadora, como quis demonstrar o coronel Ustra em seu depoimento. Isso é uma lenda."

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