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Juiz manda prender e depois libera diretor do Google

Por ordem de Flávio Peron, PF deteve em São Paulo executivo por não ter retirado do YouTube vídeos contrários a candidato em Campo Grande (MS)

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h02

O diretor-geral do Google Brasil, Fabio José Silva Coelho, foi preso pela Polícia Federal em São Paulo na tarde de ontem, em cumprimento a uma ordem judicial expedida pelo juiz Flávio Saad Perón, da 35.ª Zona Eleitoral de Campo Grande (MS). Após a repercussão do caso, o próprio juiz sul-mato-grossense enviou um alvará de soltura à PF para liberar o executivo. Coelho deixou a sede da PF em São Paulo por volta das 21 horas.

A prisão de Coelho foi motivada pelo descumprimento de uma determinação da Justiça Eleitoral. O Google não retirou do ar vídeos e links postados no YouTube - site de conteúdo audiovisual mantido pela empresa - que foram considerados ofensivos contra o candidato do PP a prefeito de Campo Grande, deputado estadual Alcides Bernal.

Ele entrou com ação e obteve vitória na 35.ª Zona Eleitoral de Campo Grande. Perón determinou a suspensão dos sites Google e YouTube por 24 horas no Estado de Mato Grosso do Sul, assim como a prisão do diretor-geral da empresa, caso a ordem para remover os vídeos não fosse cumprida.

Recurso. O Google entrou com um recurso no Judiciário sul-mato-grossense. Relator do caso no TRE-MS, o juiz Amaury da Silva Kuklinski não aceitou as alegações da empresa e manteve a ordem de prisão. "Conquanto seja um espaço livre e democrático, o uso indevido da internet, na esfera eleitoral, deve ser coibido", escreveu o magistrado em sua decisão.

O Google alega que a responsabilidade pelo conteúdo dos vídeos postados no YouTube é dos usuários - o site é apenas um intermediário. Dessa forma, segundo a empresa, não seria possível cumprir a determinação da Justiça Eleitoral. O Google tentou recorrer da decisão de Kuklinski, mas não houve tempo hábil para evitar a ação da PF ontem.

Repercussão. Em nota, a PF afirmou que o crime de desobediência, previsto no Código Eleitoral, pode implicar pena de até um ano de detenção, mas que, como o crime tem "menor potencial ofensivo", Coelho não ficaria preso. A notícia da prisão do diretor-geral do Google repercutiu em todo o mundo, divulgada por sites como CNN, BBC e The New York Times.

Procurado ontem, o juiz Flávio Perón limitou-se a dizer que seguiu a lei ao "fiscalizar a propaganda eleitoral". Bernal manteve a versão de que "o episódio tenta prejudicar" sua campanha. / FAUSTO MACEDO, DÉBORA ÁLVARES e FELIPE FRAZÃO

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