Juiz de 1ª instância nega irregularidades no caso

Em manifestação enviada por escrito ao Estado, o juiz Marcos José de Brito Rodrigues nega irregularidades no julgamento que resultou na transferência de propriedade da Fazenda Aurora para os irmãos Rodrigo e Renato Fioravante Dametto, filhos do traficante Odacir Antônio Dametto, morto em 22 de maio.

O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2012 | 03h07

O juiz afirma que o testamento supostamente falso foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Daí porque se há de lhe dar legitimação", afirmou.

Na realidade, a Justiça brasileira apenas homologou a tradução do espanhol de um processo de sucessão testamentária feito no Paraguai. É um documento datado de 1936, no qual um pai deixa para o filho a área de 32 mil hectares em Mato Grosso do Sul - Estado que foi criado oficialmente apenas em 1977.

Rodrigues disse também que, quando tomou a decisão, não sabia das suspeitas de que o testamento era falso. "Somente após a expedição da Carta de Adjudicação foi que se deu ênfase ao suposto fato de a decisão ter se baseado em um testamento falso, incluindo-se aí o dito parecer ministerial (do Ministério Público) de 1995", disse o juiz.

Nesse parecer, o promotor sustenta que o beneficiário nasceu 15 anos depois de seu pai, o que comprova se tratar de um documento falso.

O juiz observou ainda que a carta de adjudicação da Fazenda Aurora não beneficiava apenas os irmãos Dametto, mas também a outro cessionário.

Trata-se de Nabor Both, identificado no contrato como um agricultor. Both foi preso pela Polícia Federal em 2009 por pertencer a uma quadrilha de traficantes de drogas na divisa do Paraguai com a Bolívia. Both teria 2 mil dos 32 mil hectares da Aurora. Os outros 30 mil seriam dos irmãos Dametto. / L.M.

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