Juiz aceita denúncia e 'aloprados' viram réus em processo

Grupo é acusado, na Justiça estadual, por amealhar R$ 1,7 milhão para comprar dossiê contra candidaturas Serra e Alckmin em 2006

FÁTIMA LESSA, ESPECIAL PARA O ESTADO / CUIABÁ, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h10

Seis anos após o escândalo do dossiê antitucano, o juiz da 7.ª Vara Criminal da Justiça Federal em Mato Grosso, Paulo Cézar Alves Sodré, aceitou denúncia oferecida pela Procuradoria da República no Estado contra os aloprados - seis quadros do núcleo de inteligência do PT que, segundo a Polícia Federal, amealharam R$ 1,7 milhão para adquirir um dossiê com informações falsas sobre o candidato do PSDB nas eleições para o governo de São Paulo, em 2006, José Serra.

A denúncia, subscrita pelos procuradores do Ministério Público Federal Douglas Santos Araújo, Ludmila Bortoleto Monteiro e Marcellus Barbosa Lima, aponta e descreve a ação do grupo petista.

São acusados formalmente por formação de quadrilha para a prática de crimes financeiros e lavagem de dinheiro o agente da PF aposentado Gedimar Pereira Passos, o engenheiro Valdebran Carlos Padilha, o ex-diretor do Banco do Estado de Santa Catarina Jorge Lorenzetti - amigo e churrasqueiro do ex-presidente Lula -, o ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Afonso Veloso, o sindicalista Osvaldo Bargas e Hamilton Feitosa Lacerda, coordenador de campanha do então candidato do PT ao governo, Aloizio Mercadante.

Os aloprados, segundo os procuradores, "tinham por fim a desestabilização da campanha eleitoral de 2006 ao governo do Estado de São Paulo através de criação de vínculo entre o candidato pelo PSDB à máfia dos sanguessugas e, com isso, favorecer o candidato do PT".

Os aloprados caíram na madrugada de 15 de setembro de 2006, quando capturados pela PF no Hotel Ibis Aeroporto, em São Paulo, de posse da montanha de dinheiro vivo - imagens da pilha de dólares e reais foram exibidas às vésperas das eleições presidenciais por um delegado da PF.

O dossiê, produzido pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin e seu pai, Darci Vedoin, estabelecidos em Cuiabá (MT), não passava de um apanhado de imagens de Serra fazendo entrega de ambulâncias na época em que exercia o cargo de ministro da Saúde (governo Fernando Henrique Cardoso). A sanguessuga era uma máfia de empresários envolvidos em fraudes nas licitações para compra superfaturada das ambulâncias.

Também é acusado Fernando Manoel Ribas Soares, sócio majoritário da Vicatur Casa de Câmbio, situada em Nova Iguaçu (RJ), onde teria sido adquirida parte dos dólares apreendidos com os aloprados. A procuradoria incluiu na denúncia Sirley da Silva Chaves e Levy Luiz da Silva Filho, que teriam repassado dólares para a organização.

"Na esfera nacional, o assunto do dossiê foi delegado ao então chefe do Grupo de Informações do Partido dos Trabalhadores, Jorge Lorenzetti", sustenta a denúncia. "A ligação de Lorenzetti com a cúpula do PT era evidente. Ex-diretor do Banco do Estado de Santa Catarina, Lorenzetti havia sido convidado pelo então coordenador da campanha presidencial, Ricardo Berzoini, para trabalhar nas informações de interesse da campanha nacional do PT."

Lorenzetti declarou à PF que, em meados de agosto de 2006, "recebeu ligações de Mato Grosso comunicando a existência de informações importantes ligando o então candidato José Serra ao governo de São Paulo ao esquema de corrupção das sanguessugas". Diante disso, revelou, "encarregou Gedimar Passos e Expedito Veloso para analisarem os documentos em Cuiabá e encaminharem a negociação com Valdebran para aquisição do dossiê".

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