Juiz abre sigilo de Vianna Santos

A Justiça decretou ontem a quebra do sigilo bancário e fiscal do desembargador Vianna Santos, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele ocupou o cargo em 2010. Morreu em 26 de janeiro de 2011, vítima de enfarte agudo do miocárdio, segundo a polícia. A devassa é extensiva à advogada Maria Luiza Pereira, viúva do magistrado. Ambos tinham conta conjunta.

O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2012 | 03h03

O juiz Adriano Marcos Laroca, da 8.ª Vara da Fazenda Pública, autorizou o acesso aos dados do desembargador e de Maria Luiza acolhendo integralmente requerimento do Ministério Público, que investiga suposto esquema de venda de sentenças na gestão Vianna Santos. A pesquisa abrange período de 2009 até hoje.

A investigação é conduzida pela Procuradoria-Geral de Justiça. As filhas de Vianna Santos concordaram com a quebra do sigilo de contas e aplicações em nome dele. Relatos indicam que lobistas, empresários e advogados tinham trânsito livre na cúpula do TJ.

O advogado Edson Sampaio, que representa Maria Luiza, disse que "não entende por que o Ministério Público não a convocou para dar explicações". Sampaio afirmou que se a Procuradoria tivesse chamado sua cliente, "ela mesma colocaria à disposição espontaneamente os seus dados fiscais e bancários".

"Em 20 anos de advocacia nunca vi ninguém ter seu direito constitucional de intimidade devassado sem que tivesse antes o direito de prestar depoimento. Hoje o Ministério Público faz isso com a Luiza, amanhã com qualquer outra pessoa", disse Sampaio. / FAUSTO MACEDO

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