Jovens reeditam embate Serra x Aécio

Encontro da Juventude Tucana, que começa hoje, traz novamente a divisão entre os grupos do ex-governador e do senador mineiro

LUCAS DE ABREU MAIA, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h05

O congresso nacional da Juventude do PSDB, que começa hoje em Goiânia, promete se tornar um microcosmos do racha tucano entre apoiadores do senador Aécio Neves (MG) e do ex-governador de São Paulo José Serra. Ambos são esperados no evento e devem usar suas falas para tentar mobilizar os militantes em seu favor.

Os líderes jovens do PSDB estimam que atualmente a maioria dos diretórios estaduais é comandada por aecistas. O afastamento de Serra desta ala do partido teria se intensificado com o bate-boca, em novembro, entre o ex-governador e o presidente da juventude do tucanato paulista, Paulo Mathias. Serra deve aproveitar o discurso de hoje para elogiar Mathias e diminuir sua rejeição.

Os militantes mais alinhados ao ex-governador de São Paulo, contudo, tentam minimizar a briga entre ele e Mathias. "Não houve briga! Isso já foi resolvido", diz enfaticamente Wesley Goggi, secretário nacional de juventude do PSDB. Ele pertence ao diretório do Espírito Santo, hoje visto como um dos mais serristas. Foi dele o convite para que Serra e Aécio participassem do evento. "Não tem desconforto nenhum", garante, reiterando que o debate sobre o candidato à Presidência só deve ser feito em 2013.

O presidente da Juventude do PSDB, Marcelo Richa - que os outros tucanos veem como um articulador de seu pai, o governador do Paraná, Beto Richa, e alheio à disputa entre Serra e Aécio -, também nega qualquer conflito entre os dois líderes partidários: "A juventude tem batalhado muito pela unidade".

O congresso - que acontece hoje e amanhã em Goiânia - deve se concentrar no lançamento de candidatos jovens para as prefeituras e câmaras municipais no ano que vem. A ala do partido deve lançar 400 candidaturas às eleições municipais. "São Paulo vai levar cerca de 70 delegados, a maior parte candidatos a vereador", diz Mathias, evitando a polêmica com Serra.

"Nós, mineiros, estaremos lá, em peso", acrescenta Gabriel Azevedo, presidente da juventude tucana de Minas Gerais.

Tirando o Chapéu. Azevedo comanda, hoje, uma das alas mais fortes da juventude do PSDB: a Turma do Chapéu. Profundamente ligada à Aécio (o site do grupo, turmadochapeu.com.br, tinha ontem como manchete a viagem, na semana passada, do senador mineiro a Salvador), a turma surgiu como um braço da candidatura de Antonio Anastasia ao Palácio da Liberdade. Hoje, se espalhou pelo País e têm cerca de 100 militantes, segundo Azevedo. O site do grupo, contudo, deixa poucas dúvidas sobre o caráter mineiro da empreitada. "Prestamos atenção naquilo que nos une: um profundo amor por Minas", diz o texto de apresentação.

Azevedo - que é subsecretário de Juventude no governo Anastasia - provocou uma pequena polêmica na semana passada, ao acompanhar Aécio a Salvador em horário de expediente. Ele disse que era ponto facultativo em Minas no dia do evento e afirmou que a viagem foi paga com recursos próprios.

Já as atividades da Turma do Chapéu - que agora incluem um périplo de sete militantes pelas 27 capitais brasileiras, batizado de Chapéu na Estrada - são financiadas pelo PSDB nacional. Hoje, os "chapeleiros" exigem até um treinamento de quatro meses e uma prova para que os militantes possam se juntar à turma.

O grupo é formado por jovens de 18 a 25 anos, perfil, aliás, idêntico ao da Juventude do PSDB. O que os diferencia? "Aí varia. Por exemplo, na juventude do PSDB, você tem que a maioria tem ensino superior incompleto ou ensino médio completo. Já na Turma do Chapéu, a maioria das pessoas tem ensino superior completo", começa ele. Depois hesita: "Como eu diria? Vou te colocar de outra forma: é um pessoal que está mais ligado na questão de internet".

Para se livrar da pecha de "playboys", que perseguiu a turma nas eleições de 2010 (em um vídeo no site, um "chapeleiro" diz que se juntou à campanha de Anastasia para "pegar mulher e beber de graça"), Azevedo acrescenta no fim da entrevista: "A maior parte da juventude (tucana) tem a renda familiar entre um e três salários mínimos".

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