Jovem, neodilmista substitui eleitor decepcionado

40% dos que dizem ter votado na presidente em 2010 desistiram da petista; 20% dos atuais apoiadores pretendem votar nela pela 1ª vez

LUCAS DE ABREU MAIA, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2014 | 02h03

A presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu neste ano 40% dos votos que ajudaram a elegê-la em 2010, indica a pesquisa Ibope mais recente, grupo que representa 22% do eleitorado total. Em compensação, um em cinco eleitores da petista são "neodilmistas" - pessoas que dizem não ter votado nela há quatro anos.

O perfil desses eleitores, traçado pelo Estadão Dados, indica que os ex-dilmistas se concentram na periferia das grandes cidades, sobretudo no Sudeste. Eles são mais velhos, majoritariamente negros e pardos, querem que o próximo governo seja de mudança e se dizem mais insatisfeitos com a própria vida que a média da população. Os neodilmistas são mais novos - parte vai estrear nas urnas -, vivem no interior do Nordeste e aprovam o governo.

O Ibope perguntou aos eleitores se haviam votado em Dilma em 2010. A resposta de 55% foi sim - a presidente venceu há quatro anos com 56% dos votos válidos no 2.º turno. Para traçar o perfil de quem abandonou o barco petista, o Estadão Dados cruzou a resposta a essa pergunta com as intenções de voto na simulação de 2.º turno entre Dilma e Marina Silva (PSB).

O cruzamento indica que 42% dos ex-dilmistas têm entre 35 e 54 anos, faixa que constitui 38% do eleitorado. Dos que deixaram a presidente, 44% não chegaram ao ensino médio, ante 40% dos brasileiros. Seis em dez ex-dilmistas se dizem pretos ou pardos.

O economista Fernando de Holanda Barbosa, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), afirma que esse grupo demográfico é o primeiro a sofrer com a desaceleração da economia. "Quando tem emprego pra todo mundo, como em 2010, até o trabalhador sem qualificação consegue vaga. Mas, quando o empregador aperta os cintos, os pretos e pardos, mais velhos e sem qualificação são os primeiros a perder o emprego."

De fato, o eleitor que desembarcou da canoa petista se diz mais insatisfeito com a própria vida que a média da população - 24% a 20%. Só um em cada cinco ex-dilmistas considera a gestão atual ótima ou boa, ante dois quintos de todo o eleitorado. A maior parte dos ex-eleitores da presidente vê o governo como regular (46%, ante 33% da população), enquanto um terço o acha ruim ou péssimo - são 28% no eleitorado total.

Por sua vez, 63% dos novos eleitores de Dilma consideram o governo ótimo ou bom, índice que chega a 39% no eleitorado geral. Eles vivem sobretudo em cidades do interior - 63%, comparados a 60% da população brasileira. Em sua maioria, são mulheres (59%) e desproporcionalmente jovens - 41% dos neodilmistas têm até 26 anos. Essa faixa etária corresponde a apenas 19% do eleitorado brasileiro.

"As pessoas se dizem mais preocupadas com a economia e não viram melhora em setores como saúde e educação", disse Marcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência. "Em 2010, nesse período (a uma semana da eleição), Dilma tinha 50% das intenções de voto no 1.º turno. Hoje, são 38%." / COLABORARAM ANGELA LACERDA e JOSÉ MARIA TOMAZELA

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