Jovem confessa ter matado radialista na Bahia

Um adolescente de 16 anos confessou ter assassinado a tiros o radialista Laércio de Souza, de 40 anos, em Simões Filho, região metropolitana de Salvador (BA), na terça-feira. Preso anteontem, na casa da mãe - após indicações de testemunhas -, o jovem disse ter atirado contra o radialista por vingança.

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2012 | 03h04

Segundo seu depoimento, ele planejou matar Souza depois que o jornalista o denunciou à Polícia Militar por delitos na região onde morava o comunicador. O adolescente também indicou o coautor do crime, que segue sendo procurado pela polícia, e o lugar onde estava a arma do crime. Ele disse que a atirou em um rio e uma equipe foi ao local tentar resgatá-la.

Apesar da confissão, o delegado da 22.ª Delegacia, Antônio Fernando do Carmo, prossegue a investigação, por haver indícios de outro motivo para o crime. Amigos e familiares do radialista, que era pré-candidato a vereador em Simões Filho, contam que ele vinha sofrendo ameaças de traficantes por causa de suas ações sociais, como distribuição de cestas básicas aos carentes.

Reações. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) cobraram das autoridades, por meio de notas, velocidade nas investigações e alertaram para a tentativa, da parte de traficantes de drogas, de cerceamento dos trabalhos da imprensa. "O recrudescimento da violência cometida pelo narcotráfico contra jornalistas na América Latina exige enérgica reação das autoridades policiais e judiciais", disse o comunicado da AIR, assinado por seu presidente, Héctor Amengual Luis Pardo Sáinz.

Laércio de Souza foi morto menos de dois meses depois do cinegrafista Gelson Domingos da Silva, da TV Band, atingido por um tiro quando filmava um tiroteio em uma favela do Rio de Janeiro. Além dos dois, outros cinco jornalistas desapareceram no País entre abril e junho de 2011, segundo informe do Brasil na reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), em Lima, em outubro. Em 2011, segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, morreram em todo o mundo 66 jornalistas, dos quais 20 no Oriente Médio. Outros 1.044 estavam presos e 73 fugiram de seus países para não serem mortos.

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