José Dirceu usa a internet para participar de campanhas eleitorais

Para ex-ministro e réu do mensalão, candidatos podem melhorar performance nas pesquisas

Ricardo Brandt, especial para O Estado

13 de agosto de 2012 | 19h04

Isolado e em silêncio, em sua casa em Vinhedo (SP), desde que começou o julgamento do mensalão, José Dirceu tem usado a internet para participar das campanhas eleitorais, avaliando cenários, orientando estratégias e disparando contra adversários.

Nesta segunda-feira, 13, Dirceu afirmou que "a oito dias do início do horário de propaganda gratuita no rádio e TV, a campanha eleitoral deslancha paulatinamente no Brasil, mesmo que não esteja, ainda, no ritmo ideal" e que "dá para acelerar mais, melhorar a performance dos nossos candidatos nas pesquisas, sejam os aliados, sejam os do PT."

"As pesquisas eleitorais até agora mostram, como eu disse semana passada, um sinal de alerta ao PT", afirma o ex-ministro, que tem um acordo com seu advogado de não dar entrevistas até o final do julgamento do mensalão.

Desde que se recolheu, no dia 2, o ex-ministro avaliou o desempenho e as estratégias de campanha dos candidatos do PT no Nordeste, orientou as coordenações de candidaturas em todo Brasil a apresentarem os programas de governo antes do dia 21, quando começa a propaganda na TV e no rádio, citou os cenários eleitorais de São Paulo e Belo Horizonte como exemplo, comemorou a entrada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida sucessória e comentou o primeiro debate dos candidatos. De quebra, disparou contra os adversários Celso Russomanno e José Serra, em São Paulo.

"As campanhas municipais começam agora com a chegada dos deputados e senadores às suas bases político-eleitorais em todo país", escreveu Dirceu num texto intitulado "Campanhas municipais começam agora", publicado logo após as primeiras gravações feitas por Lula para a candidatura de Fernando Haddad, em São Paulo.

"Começa agora, e se intensifica com o início dos debates e horário de propaganda no rádio e TV a partir de 21 de agosto; com as mudanças nas coordenações de campanha; a entrada das lideranças parlamentares experientes no esforço eleitoral por seus candidatos; a leitura e análise das primeiras pesquisas com postulantes definidos; e com a gravação de lideranças nacionais para os programas de mídia eletrônica."

No mesmo texto, o ex-ministro cobra as coordenações de campanha: "Começamos agora, mas já chegamos à fase em que - para além das primeiras 'escaramuças' entre adversários, críticas aos governos atuais, etc - é preciso apresentar para os cidadãos de cada um dos quase seis mil municípios brasileiros um programa de governo que olhe a cidade nos próximos 10 anos".

E orienta as linhas gerais a se seguir: "Programas centrados na educação, saúde e transportes - prioridades dos candidatos do PT - com um olhar para a juventude, a cultura, esporte e lazer, programas culturais e ambientais para os espaços públicos e para a comunidade e a família no bairro onde vive". Ele afirmam que o "ideal é que isto seja mostrado à população ainda antes do 21 de agosto".

Nordeste. Em outro texto publicado no sábado, 11, "Estratégia correta em Recife e crescimento em João Pessoa mostram boas chances no Nordeste", Dirceu fala sobre o crescimento de Luciano Cartaxo, na capital da Paraíba, e sobre a estratégia na capital de Pernambuco da candidatura-dobradinha de Humberto Costa e João Paulo.

"A estratégia corretíssima em Recife e o crescimento constante da campanha de Luciano Cartaxo em João Pessoa mostram que o PT tem tudo para vencer as eleições em várias cidades no Nordeste. Precisa apenas fazer campanha e, com apoio do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma, vencer", afirma o ex-ministro.

Duas vias. O blog também tem sido usado para atacar os adversários petistas. No sábado, Dirceu comentou a notícia envolvendo uma rádio do candidato do PRB à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno. "É uma pratica geral e nem a mídia e nem o governo põem fim a ela. Já é hora de colocar um ponto final nos laranjas e nas empresas de fachada usadas para políticos e grupos de comunicação controlarem redes de rádio e TV", dispara o ex-ministro.

Na sexta-feira, 9, Dirceu também havia atacado o candidato do PSDB na capital paulista, José Serra, que atribuiu ao PT um vídeo que associa sua imagem à de Adolf Hitler. "Este vídeo é mais uma manobra da campanha serrista. Como foi aquela da bolinha de papel em 2010, quando a campanha de José, já na iminência da derrota na disputa pela Presidência da República, engendrou a farsa de que ele fora agredido na Zona Norte do Rio", escreve o ex-ministro, relembrando episódio em que Serra foi supostamente alvo de agressões. "Agora voltam a criar uma situação para José posar de novo no papel de vítima e criminalizar o PT."

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