'José Dirceu confia na Justiça', afirma defesa

"O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) sempre pediu para ser julgado, jamais tomou qualquer atitude para protelar (o julgamento)", declarou o criminalista José Luís Oliveira Lima. "Ele (Dirceu) confia na Justiça e aguarda o julgamento com serenidade, com a garantia da ampla defesa e o respeito ao devido processo legal."

O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2012 | 03h01

Márcio Thomaz Bastos, que defende José Roberto Salgado, ex-vice presidente do Banco Rural, declarou. "Vamos para o julgamento com a esperança de que se faça Justiça."

O criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que defende Ayana Tenório, ex-vice presidente do Rural, disse que considera importante o fato de o julgamento não ter sido marcado de forma abrupta. "Temos dois meses para nos prepararmos, isso atende a reivindicação dos advogados." Mas ele faz uma ressalva. "Acho contraproducente cinco defesas por dia. Cinco advogados irão falar durante 5 dias por semana. Vejo isso como uma restrição ao direito de defesa na medida em que o último advogado a falar pegará o tribunal cansado. Isso poderá prejudicar a defesa de seu cliente. Por outro lado, se o julgamento preencher 5 dias da semana, o STF vai parar por duas semanas. Outros jurisdicionados não poderão recorrer ao STF porque o mensalão estará em julgamento com exclusividade."

O advogado Marcelo Leonardo, que defende Marcos Valério, é categórico. "Não faz diferença nenhuma a data do julgamento. Se o julgamento for realizado com base na prova do processo, produzida em juízo, não haverá condenação. Se for político há sério risco de condenação."

O criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), disse que recebe "com um pouco de cautela a decisão, porque dela não tomou parte o ministro Ricardo Lewandowski (revisor), que ainda não devolveu o processo". Para ele não ficou claro quantas sessões vão ser realizadas por semana. "Disseram que os advogados estavam procrastinando, mas isso nunca ocorreu. Acredito na absolvição, as acusações são atípicas. Independentemente de prova, há acusações manifestamente descabidas."

O advogado Paulo Sérgio Abreu e Silva, que defende Rogério Tolentino - ex-advogado das agências de publicidade de Marcos Valério - criticou a ordem para que defesa e acusação façam sustentações orais. Para ele, o formato vai beneficiar a acusação. "Ninguém vai se lembrar das sustentações dos advogados", reprova Abreu e Silva. Para ele, o ideal seria que se fizesse a sustentação do procurador-geral, depois do acusado e, em seguida, o julgamento de cada um. RICARDO BRITO e FAUSTO MACEDO

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