Jornalista diz que recebeu R$ 40 mil em dinheiro de Perillo

Bordoni afirma ter recebido o pagamento das mãos do governador por trabalho prestado na campanha de 2010

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2012 | 03h32

O jornalista Luiz Carlos Bordoni, responsável desde 1998 pelas campanhas eleitorais de rádio do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), afirma ter recebido R$ 40 mil em dinheiro das mãos do tucano, como primeira parcela dos serviços que prestou na campanha de 2010. O pagamento, segundo ele, foi feito pouco antes do início do horário eleitoral, no escritório político do governador, em Goiânia. Perillo nega.

Bordoni sustenta que ao menos três pessoas o viram entrar no gabinete de Perillo: uma secretária, um prefeito e um advogado do então candidato. "O primeiro pagamento foi feito por ele antes mesmo de começar o horário eleitoral", declarou Bordoni, em sua terceira entrevista ao Estado. "O Marconi me chamou pra uma sala do fundo, uma pequena divisória atrás do gabinete dele, da mesa dele, e me passou R$ 40 mil em dinheiro. Foi o primeiro pagamento."

O jornalista diz que Perillo retirou um envelope de dentro de um refrigerador desligado. Dentro, havia outros quatro menores, cada um com R$ 10 mil.

"Por incrível que pareça, ele tirou de dentro de um frigobar que estava lá. Na parte posterior da mesa dele tem uma divisória que tem uns quadros, fotografias dele, e, atrás dessas divisórias, uma pequena copa. Tinha um frigobar que ele abriu e tirou um pacote, um envelope para mim. Só podia estar desligado, pois o dinheiro não estava gelado."

Bordoni afirma que não emitiu recibo pelo pagamento. Segundo ele, Perillo chegou a perguntar se queria firmar um contrato, mas o jornalista sustenta ter declinado por confiar no tucano.

"Eles só trabalham com notas fiscais com os marqueteiros. Quem é da raia miúda... Essa dos R$ 40 mil não apresentei nota fiscal. Ele me pagou em dinheiro vivo e eu não emiti nota para ele, não", diz o jornalista, que foi locutor das campanhas no rádio. "Você trabalha em campanha, leva muitos canos. Quando aparece o dinheiro para te pagar, se você for esperar que te deem um cheque bonitinho, é difícil."

Indagado sobre a necessidade legal da contabilização dos recursos nas campanhas, Bordoni disse: "Trabalhei, tinha que receber e recebi. Se é caixa 2, se é de bicheiro, não sei".

Bordoni relata outros pagamentos em dinheiro que diz ter recebido de homens de confiança de Perillo. Um deles, em 2010, recebeu do então tesoureiro de Perillo, Jayme Rincón. Embora não se recorde do valor, diz ter recebido em um encontro em uma transportadora de Rincón.

Segundo Bordoni, outros dois pagamentos foram feitos em 2002 pelo assessor especial do governador, Lúcio Fiúza, em seu apartamento em Goiânia.

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