Jornal de MG acusa Quintão de remessa ilegal de dólares

O candidato a prefeito de Belo Horizonte, Leonardo Quintão (PMDB), e seus familiares usaram doleiros para enviar recursos para o exterior por meio da conta Beacon Hill, investigada no esquema do Banestado, denunciou o jornal Estado de Minas em matéria publicada hoje. A família do candidato do PMDB, conforme reportagem do jornal, movimentou, no período de 1998 a 2002, "mais de U$ 1 milhão" por meio da conta-ônibus - uma espécie de conta ampla, pela qual são operadas inúmeras outras subcontas. Citando documentos obtidos, a matéria afirma também que Quintão "usou uma rede de empresas de participações no Estados Unidos para justificar o seu patrimônio, que em sete anos de vida pública aumentou mais de 500%". Segundo o jornal, o patrimônio declarado do candidato à Receita Federal no ano passado chegou a R$ 1,8 milhão, e os papéis indicam que "está totalmente descoberto", ou seja, seriam inferiores aos bens adquiridos.A reportagem afirma ainda que "além das empresas de fachada" Quintão justificou sua evolução patrimonial inflando "ganhos na atividade rural e com as verbas indenizatórias da Câmara Municipal de Belo Horizonte e da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, concedidas em tese para cobrir as verbas de gabinete dos parlamentares". De acordo com o jornal, o candidato do PMDB e seu pai, Sebastião Quintão - prefeito de Ipatinga (MG) -, realizaram pelo menos seis operações por meio da Beacon Hill, que totalizaram aproximadamente US$ 150 mil. O restante do dinheiro enviado teria sido operado por Aníbal Quintão, primo do candidato do PMDB à prefeitura pela coligação "Belo Horizonte para Você" (PHS-PMDB). Apontado na matéria como o dono de 20 empresas de câmbio e de atividades diversas no Estado norte-americano da Flórida, Aníbal é descrito como "conhecido doleiro na cidade de Taguatinga (DF)", que fundou na Flórida a Good Newz Brazilian News, uma igreja freqüentada por brasileiros e controlada pela família Quintão.Medidas judiciaisO jornal afirma também que o candidato do PMDB nunca declarou à Receita Federal ter sido dono de uma empresa na Flórida, denominada L&C. A empresa teria sido aberta em 1996, em sociedade com um irmão e com o pai. Por meio de sua assessoria, Quintão negou o teor da reportagem e disse que toma ainda hoje medidas judiciais. O candidato era esperado pela manhã em uma passeata de estudantes pelo passe-livre - uma de suas propostas de campanha -, mas não compareceu.

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