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Jogo jogado

O discurso de que um ou outro pode ser o titular da chapa presidencial será mantido por Eduardo Campos e Marina Silva até dezembro, mas a ordem dos fatores está definida: o governador será o candidato a presidente e a ex-senadora fica na vice.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h07

Foi nesses termos que ela o procurou na véspera do anúncio da aliança e é assim que concorrerão. Não que estejam mentindo quando dizem que a definição virá em 2014. Estão dando tempo ao tempo, esperando a virada do ano para, em janeiro, explicitar em público o combinado em particular.

Até lá, investem na preparação do tão falado "conteúdo programático" - a ser divulgado aos poucos também a partir de janeiro - e farão uma dobradinha em diversos atos políticos com a seguinte simbologia: Marina entra com o sonho e Campos entra com o trabalho braçal de viabilizar material e politicamente a empreitada.

Antes de prosseguir, uma informação importante: esqueçam que um dia Eduardo Campos disse que não seria candidato se o ex-presidente Lula da Silva entrasse na disputa. A declaração perdeu a validade, por dois motivos: primeiro, o jogo é considerado por ele jogado e, segundo, não acredita nem por um segundo que Lula será candidato no lugar de Dilma Rousseff.

A sorte, portanto, está lançada. E se dependesse de Marina e dos companheiros de Rede favoráveis à aliança, a composição teria sido assumida desde o início. Ela não nutre ilusões quanto às resistências que enfrentaria junto ao "establishment". Como a disposição dela é ganhar - se fosse só para marcar posição teria ficado de fora ou ido para o PPS -, neste aspecto foi pragmática.

Sendo assim, por que adiar a oficialização da chapa, por que o suspense, por que deixar em aberto algo que já está fechado? Por razões táticas e estratégicas. Na conversa que tiveram em Brasília, o governador ponderou e a ex-senadora concordou que não seria bom entregar o jogo aos adversários logo na partida. "Quanto mais dúvidas tiverem, mais difícil fica a reação", disse ele.

Além disso, Marina Silva precisaria de tempo para "trabalhar" seus correligionários contrários à aliança e convencer seu eleitorado sobre o acerto da decisão. A indefinição oficial permite ainda que os dois deem prioridade à discussão programática que, do contrário, ficaria em segundo plano em relação às candidaturas.

Pesou outro fator: se não assumir desde já a vice, a ex-senadora, como diz um aliado de Campos, permanece "viva no processo" e ajuda o governador a se tornar conhecido devido à geração de notícias decorrentes da aliança. Efeito que o PSB já espera ver nas próximas pesquisas por causa da exposição do governador nos meios de comunicação.

Por fim, a preservação do segredo - ainda que de polichinelo - mantém em alta o interesse dos políticos e da imprensa sobre o que vai acontecer. "Se dizemos logo o que e como vai acontecer, a novidade envelhece", disse a Marina a voz da experiência de Eduardo Campos, cujo quinto filho nasce em fevereiro batizado Miguel, como o bisavô Arraes.

Relativo. O ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, diz que no Brasil "ninguém vota no vice". Tenta reduzir a importância da aliança Campos-Marina; é do jogo. Embora diga uma verdade, não rende homenagem a um movimento de seu partido, o PT.

Quando Lula da Silva se aliou a José Alencar, em 2002, não buscava eleitores na pessoa do empresário-senador. Queria vencer resistências e mandar um recado tranquilizador ao time "de cima".

Plenária. José Serra é enigmático quanto à aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva.

Perguntado a respeito em seguida ao anúncio, respondeu: "A assembleia, sem dúvida, vai continuar em sessão".

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