João Paulo na calçada do Supremo

À espera da expedição do mandado de prisão por sua condenação no mensalão, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) almoçou ontem numa tenda em frente ao Supremo Tribunal Federal montada por manifestantes petistas que pediam a anulação do julgamento. O deputado e ex-presidente da Câmara foi condenado por corrupção passiva e peculato - ele recorre da condenação de lavagem de dinheiro. A pena total é de 9 anos e 4 meses de prisão.

Eduardo Bresciani / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2014 | 02h01

Sob a tenda armada pelos manifestantes, João Paulo repetiu o gesto do ex-ministro José Dirceu e do ex-deputado José Genoino assim que foram presos: punho erguido para o alto. O petista não disse se renunciará ao mandato quando for preso. "(A renúncia) é um assunto que não está colocado e eu prefiro não dizer." Mas afirmou que tem recebido a solidariedade de parlamentares. "A quantidade de telefonemas que recebi de deputados me conforta demais, mas eu não poderia afirmar o que aconteceria (em um processo de cassação) porque não sei."

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, realizou seu último expediente em 6 de janeiro, quando encerrou o caso referente aos crimes de corrupção e peculato. Depois, saiu em férias sem assinar o mandado de prisão do deputado petista.

João Paulo afirmou que usará todos os recursos possíveis. "Tudo que estiver ao nosso alcance nós vamos utilizar, seja revisão, seja a busca de organismos internacionais, que, se não for para rever, seja pelo menos para tomar conhecimento de que houve uma injustiça no Brasil, um julgamento de exceção."

Acrescentou que sua ida ao ato não foi uma "provocação" ao STF. "Os ministros do Supremo sabem que não sou de provocar ninguém." Disse ainda que, quando for preso, pedirá para estudar e trabalhar - ele pretende concluir o curso de Direito e cursar Letras, ainda que a distância.

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