João Henrique, do PMDB, é reeleito prefeito de Salvador

Com 100% das urnas apuradas, ele teve 58,46% dos votos, contra 41,54% de Walter Pinheiro (PT)

Da Redação,

26 de outubro de 2008 | 19h46

João Henrique Carneiro (PMDB) é reeleito prefeito de Salvador. Ele teve 58,46% dos votos, contra 41,54% de Walter Pinheiro (PT). A cidade teve 19,73% de abstenção e 5,58% de votos nulos. Os votos brancos somaram 2,51%.   Veja também:  Geografia do voto: desempenho dos partidos no País   Cobertura completa das eleições 2008   Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos   Perfil dos candidatos de Salvador      A pesquisa de boca-de-urna do Ibope já indicava vitória de João Henrique no segundo turno. De acordo com o instituto, ele tinha 57% dos votos válidos, contra 43% de seu opositor. A margem de erro, segundo o Ibope, é de 2%. Foram ouvidos 4 mil eleitores.   A votação correu em clima tranqüilo na capital baiana. Muito por causa da conivência dos policiais com a propaganda de boca-de-urna, vista em todas as principais zonas eleitorais da cidade, percorridas pela reportagem, em especial nas áreas periféricas. Na maioria dos casos, grupos de pessoas contratadas pelos dois candidatos agitavam bandeiras e tentavam colar adesivos dos partidos nas roupas dos eleitores a poucos passos das entradas das zonas eleitorais. De acordo com eles, cada um recebeu entre R$ 20 e R$ 30 para fazer o trabalho. E não foram incomodados, apesar do reforço policial anunciado pelo governo baiano, que mandou 5,6 mil integrantes da PM às ruas.   A única apreensão foi a de um minitrio elétrico que fazia propaganda política na Cidade Baixa. O condutor, Edvaldo Ribeiro e Silva, de 38 anos, e outras quatro pessoas foram levadas à sede da Polícia Federal, em Água de Meninos, onde prestaram depoimento. Foram liberados em seguida. Os próprios candidatos também passaram o dia ainda em clima de campanha. Ambos organizaram minicarreatas pela cidade, com a justificativa de acompanhar os correligionários a seus locais de votação. Começaram a circular pela cidade tão logo as urna foram abertas, às 8 horas (9 horas de Brasília) e só terminaram na metade da tarde.   Segundo o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, 14 urnas tiveram problemas na cidade e 13 delas tiveram de ser substituídas. A expectativa é que a apuração seja concluída entre as 20h30 e as 21 horas (de Brasília).   Campanha   O candidato do PT deixou de ser o alvo preferencial do prefeito João Henrique Carneiro. O peemedebista resolveu estender ao governo do Estado e ao PT as críticas que antes dirigia apenas a seu adversário municipal. Em resposta, o governador Jaques Wagner (PT) admitiu em entrevistas que já considera dispensar a aliança com o PMDB para 2010.   O tom e a intensidade dos ataques revelam que, se ainda existiam algumas pontes de ligação entre PMDB e PT na capital baiana, elas estão sendo dinamitadas. Políticos locais não acreditam mais numa recomposição entre o atual prefeito e o governador. PMDB e PT compõem a base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador baiano, que tem como vice um peemedebista.   Ao adotar um estilo arrojado nesta campanha - em contraste à sua tradicional conduta de político cordato até mesmo com os adversários - João Henrique surpreendeu até seus aliados. João trocou o PDT pelo PMDB em setembro do ano passado. Desde então, seus adversários afirmam que ele está cada vez mais parecido com o líder do partido na Bahia, o ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima.   Parceiro de Wagner até o primeiro turno, ultimamente o prefeito não tem economizado adjetivos quando mira o governo do Estado. Pelo menos dois secretários estaduais foram definidos por ele como "lerdo" e "incompetente", durante um debate na TV. Os ataques foram dirigidos ao PT, seu aliado na administração municipal entre janeiro de 2005 e abril de 2008, quando deixou a coalizão para lançar candidatura própria.   Bate-boca   Durante almoço com a cúpula do PDT, no Hotel da Bahia, João Henrique traçou o que, segundo ele, seria um perfil do partido. "Traição é uma característica do PT", afirmou. O discurso acirra ainda mais os conflitos entre as duas legendas. "Aliança com o PT, nunca mais na minha vida", garantiu.   O governador também não foi poupado: "Eu não sei o que seria o governo de Jaques Wagner, hoje, sem o PMDB". Para ele, o que ainda ampara muitos petistas é a popularidade e o carisma do presidente Lula. "Mas, e quando não tiver mais o presidente Lula?", questionou. Os ataques peemedebistas são respondidos pelos petistas no mesmo tom.   Ao receber apoio do atual vice-prefeito de Salvador, Marcelo Duarte (PSDB), e de ex-secretários municipais de João Henrique, Walter Pinheiro disse que "Salvador precisa de um prefeito que tenha liderança, que respeite a cidade e seu povo e não fique como uma marionete." O petista aponta "ingerência dos irmãos Vieira Lima" na administração municipal. No caso, o ministro Geddel e seu irmão Lúcio, presidente regional do PMDB, acusados de tutelar o prefeito.   Referindo-se à composição de João Henrique com ACM Neto e Paulo Souto, do DEM, e César Borges, do PR, Walter Pinheiro afirma que os peemedebistas tentam "ressuscitar as forças que dominaram a Bahia e foram derrotadas nas eleições de 2004 e agora, no primeiro turno."   Horário eleitoral   No horário eleitoral gratuito do segundo turno em Salvador, João Henrique e Walter Pinheiro intensificaram os ataques de parte a parte. A diferença é que, desta vez, evitavam citar o nome do adversário. Repetindo a disputa do primeiro turno os dois utilizaram o rádio e a televisão para afirmar, novamente e cada um a seu modo, quem é o "candidato preferido do presidente Lula."   A disputa envolvendo candidatos do PT e do PMDB, partidos que compõem a base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está colocando em confronto, também, os líderes dos dois partidos na Bahia. O governador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), estão totalmente comprometidos com as campanhas de seus candidatos.   (Com informações de Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo.)   Texto alterado às 21h50 para acréscimo de informações.

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