Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

João Doria vincula sua campanha a projeto eleitoral de Alckmin

Candidato do PSDB afirma que sua eventual vitória seria 'creditada' ao governador; ele voltou a defender privatização de bens públicos

Fábio Leite, Pedro Venceslau e Tonia Machado, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2016 | 09h06

O empresário João Doria, candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, disse nesta terça-feira, 2, em entrevista à Rádio e TV Estadão que sua eventual vitória seria “creditada” ao governador Geraldo Alckmin e projetaria o nome dele na disputa pelo Palácio do Planalto em 2018. O candidato tucano também afirmou que confia na promessa do presidente em exercício Michel Temer de não tentar a reeleição.

Além de Alckmin, outros dois nomes do PSDB são cotados para disputar a vaga – o ministro das Relações Exteriores, José Serra, e o senador Aécio Neves (MG), presidente do partido. “O objetivo não é esse, mas seria uma vitória que, creditada ao governador Geraldo Alckmin, daria a ele uma exposição e credibilidade ainda maior para seguir sua trajetória.”

Após dizer que considera Temer “um homem de bem”, Doria afirmou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não pretende levar até o fim a ideia de colocar o peemedebista na disputa, conforme disse ele ao Estado. “Temer reafirmou que não pretende se candidatar e eu confio nele. O deputado Rodrigo Maia quis fazer uma homenagem.”

Racha. O empresário minimizou o procedimento investigatório do Ministério Público Eleitoral provocado pelo senador tucano José Aníbal e o ex-governador Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB. Eles acusam Doria de compra de votos e abuso de poder econômico nas prévias do partido.

“Não tenho nenhum temor. Não fizemos absolutamente nada de errado. Essas ações, lamentavelmente, foram provocadas por aqueles que foram derrotados por nós nas prévias do PSDB”, disse o candidato.

Durante o processo de disputa interna, Goldman e Aníbal fizeram campanha contra Doria e apoiaram o vereador Andrea Matarazzo, que acabou migrando para o PSD e será candidato a vice na chapa da senadora Marta Suplicy (PMDB).

Ainda sobre a divisão, Doria disse que, “no momento oportuno”, terá o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ministro José Serra, que apoiaram Matarazzo. “O ex-presidente disse que aguardaria a convenção do PSDB para fazer sua manifestação. Nós estivemos juntos, eu, o Bruno Covas (candidato a vice) e ele. Mas não espere do Fernando Henrique fazer campanha na rua. Não é o caso”, declarou.

Questionado se pretende usar vitrines da gestão Serra na prefeitura em sua campanha, o candidato desconversou. “Pretendemos fazer um programa de governo olhando para o presente e o futuro. Não vou fazer gestão olhando para o retrovisor”, afirmou Doria.

Propostas. O candidato do PSDB voltou a defender privatizações e concessões de equipamentos públicos, como o Autódromo de Interlagos, o Anhembi e o Estádio do Pacaembu. “A privatização de equipamentos públicos é a melhor saída. A administração privada é mais eficiente.”

O tucano disse como executaria uma proposta quem vem sendo alvo de críticas dos adversários, a concessão de corredores de ônibus para a iniciativa privada. “Vamos colocar tecnologia e usar GPS para dar a indicação correta para quem usa para saber o horário preciso (do ônibus) por meio de um aplicativo. Quem vai explorar, ganha na publicidade.”

Doria também prometeu reverter iniciativas da gestão Fernando Haddad (PT), candidato à reeleição, como o programa De Braços Abertos, de redução de danos na região da Cracolândia, e a redução da velocidade nas marginais. “O programa De Braços Abertos é um fracasso. É braços abertos para a morte.”

Segundo pesquisa Ibope divulgada na semana passada, Doria aparece empatado com Haddad – ambos têm 7% das intenções de voto.

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