João Doria descarta recursos para o Parque Augusta

Prefeito eleito afirmou que dinheiro público precisa ser priorizado em saúde e educação; construtoras Setin e Cyrela, proprietárias da área na região central, exigem ao menos R$ 120 milhões da Prefeitura para abrirem mão de projeto imobiliário no local

Adriana Ferraz, Pedro Venceslau e Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2016 | 05h00

O prefeito eleito João Doria (PSDB) indicou nesta terça-feira, 4, que, se depender do seu governo, a criação do Parque Augusta, na região central, não sairá do papel. “A Prefeitura não vai gastar dinheiro público nisso, dinheiro que precisa ser priorizado em saúde e educação. Quero deixar bem claro que não comprarei terreno para fazer praça ou parque.”

A afirmação de Doria abre mais um capítulo na novela que se tornou o projeto de abrir à população o terreno de 23,7 mil metros quadrados entre as Ruas Caio Prado e a Marquês de Paranaguá. As construtoras Setin e Cyrela, proprietárias da área, exigem ao menos R$ 120 milhões da Prefeitura para abrirem mão de um projeto que prevê a construção de quatro torres de 36 a 45 metros de altura no local – projeto já aprovado pelo órgão do patrimônio municipal. O valor pedido representa o dobro do pago em janeiro de 2014 e não foi aceito pela gestão Fernando Haddad (PT).

“Essa alternativa (de pagar a desapropriação) é zero. Agora, o entendimento com os proprietários nós podemos ter, para que parte da área possa ser aberta à população”, disse.

Para a presidente da Sociedade Amigos e Moradores Cerqueira César, Célia Marcondes, o prefeito eleito está “equivocado”. “A gente nunca vai desistir. Esse parque é imprescindível.”

O empresário Elie Horn, dono da Cyrela, aparece como doador de R$ 100 mil para a campanha de Doria. Ele também financiou o mesmo valor a Celso Russomanno (PRB), Marta Suplicy (PMDB) e Haddad. A assessoria de Doria nega que a decisão será tomada levando em conta interesses privados.

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