J&F vai gerir Delta, mas só compra após auditoria

Grupo JBS assume comando da empreiteira que é foco central da CPI do Cachoeira e indicará presidente; deputado tenta impedir negócio

SUZANA INHESTA/AGÊNCIA ESTADO, FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2012 | 03h06

A J&F Participações, holding que controla a empresa de alimentos JBS, confirmou ontem, em nota, que assumirá a gestão da Delta Construções. A empreiteira, do empresário Fernando Cavendish, está no centro do escândalo envolvendo o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foco central da CPI mista instaurada no Congresso.

No comunicado enviado à imprensa, a holding afirma que assinou o acordo com os controladores da Delta na última segunda-feira e assumirá a gestão da construtora a partir da próxima semana. O nome do novo presidente da empreiteira deverá ser anunciado nos próximos dias. "Nosso objetivo é honrar os contratos, que serão auditados, e preservar os mais de 30 mil empregos da Delta", disse o acionista da J&F, Joesley Batista.

Os irmãos Batista, segundo interlocutores, apostam nos ativos da Delta fora de Goiás, núcleo do escândalo Cachoeira. Embora todas as cerca de 200 obras que a construtora toca pelo País estejam sujeitas a investigação, eles acreditam que a suspeita maior fique restrita aos 3% dos empreendimentos em Goiás.

"O grupo informa que um rígido processo de auditoria será conduzido na companhia pela KPMG nos próximos meses. Somente após os resultados desta diligência será ou não exercida uma opção de compra", afirmou a J&F, no documento.

Obstáculo. O deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) pediu ontem ao Ministério Público Federal que evite ou anule uma eventual venda da Delta para a J&F. O objetivo, segundo o parlamentar, é garantir que em caso de condenação dos dirigentes da Delta por corrupção a população seja restituída de eventuais desvios.

"Se a Delta fez transações com empresas fantasmas, se envolveu-se em negócios escusos, como é que a solução é vendê-la? Eles metem o dinheiro no bolso?", questiona o parlamentar.

Miro Teixeira pede, ainda, que sejam arrolados, de forma cautelar, todos os bens da empreiteira e tornados indisponíveis, para permitir eventual recuperação de ativos. O objetivo, cita o documento, é evitar "essencialmente que bandidos encontrem no crime uma atividade lucrativa e vantajosa".

Substituição. No contrato preliminar - que resguarda os novos gestores de qualquer responsabilidade em relação aos contratos vigentes até que a auditoria seja concluída, informou a holding -, a J&F pode substituir a estrutura administrativa da Delta, o que inclui presidente, diretores e membros do conselho de administração. Batista também informou que este contrato não envolve pagamento aos seus antigos controladores. "A auditoria sobre os ativos e contratos estabelecerá o valor da empresa, que servirá como base de cálculo para a compra", ressaltou a holding.

Caso A J&F compre a Delta, os recursos provenientes da distribuição dos dividendos futuros da própria Delta serão utilizados no pagamento dos ativos da empresa. A holding declarou que não haverá a necessidade de utilização de recursos próprios ou de terceiros para financiar a operação. / COLABOROU IRANY TEREZA

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