André Dusek|Estadão
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Jaques Wagner diz que aceitaria ser vice em chapa encabeçada por outro partido

Oficializado ao Senado, ex-governador baiano afirmou que aceitaria compor chapa com outra sigla para que PT fosse representado

Yuri Silva, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2018 | 14h26

SALVADOR - O ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner afirmou neste sábado, 4, que aceitaria compor uma chapa presidencial no posto de vice caso o PT adotasse a tese defendida por ele, de apoiar um candidato de outro partido à Presidência da República nas eleições 2018. Disse também que "respeita Ciro", mas que não exerga "ninguém com capital político para poder enfrentar a crise hoje no Brasil e colocar as coisas nos trilhos" além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato.

Na saída da convenção estadual do PT da Bahia, que homologou a candidatura dele ao Senado na chapa do atual governador do Estado e candidato à reeleição Rui Costa (PT), Wagner ponderou, contudo, que "não é esse o caminho" (adotado pelo PT). 

"Se a minha tese fosse vencedora, de eventualmente apoiar alguém de fora do PT, eu poderia colocar meu nome para compor a chapa e o PT se sentir representado. Não é esse o caminho, já homologuei minha candidatura ao Senado, portanto sou candidato a senador", afirmou o ex-governador a jornalistas.

Ele não quis comentar o fato de o ex-presidente Lula ter adiado para dia 14 a indicação do vice da chapa petista. "Aí é interpretação jurídica", disse. Wagner voltou a defender que o PT não indique um nome próprio para substituir Lula caso a candidatura do líder petista seja impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e disse que não será esse nome, caso o partido insista em ser cabeça de chapa nas eleições.

"Sempre defendi que o PT não deve indicar (um substituto para o Lula). É a minha opinião. Não vou pregar o voto nulo, a gente pode apoiar alguém. Mas se esse não for o caminho escolhido, o PT tem muitos nomes. O meu nome eu não estou colocando à disposição por uma convicção minha", afirmou.

O ex-ministro ainda negou que o PT tenha articulado o isolamento do presidenciável do PDT Ciro Gomes na corrida presidencial. E criticou a "judicialização da política", dizendo que "a interdição de Lula vai levar o Brasil para uma esquina".

"Não tem nenhum sentido falar em produzir o isolamento de Ciro. Sempre defendemos a unidade desse campo. Não é simples porque você tem um candidato que é favorito impedido de fazer campanha, de conversar e negociar", afirmou Wagner.

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