Jandira levanta suspeita sobre mau uso de recursos no Rio

Em sabatina do 'Grupo Estado', candidata do PCdo B à prefeitura do Rio defendeu auditoria nas contas públicas

Adriana Chiarini, da Agência Estado e Andréia Sadi,

29 de agosto de 2008 | 11h40

A candidata do PCdoB à prefeitura do Rio Jandira Feghali disse que teria vergonha de dizer que tem "dinheiro em caixa" com a cidade na situação em que está e defendeu uma auditoria nas contas públicas. " Teria vergonha de dizer se fosse prefeito que tenho dinheiro em caixa com a cidade na situação que está. (..) Vamos ter que falar onde está esse dinheiro, paraísos (fiscais), vamos auditar e se tiver crime contra patrimônio vamos tomar providências. Não sei o que vamos encontrar", disse durante última sessão da série de sabatinas do Grupo Estado. O vídeo da sabatina pode ser visto na TV Estadão. (clique aqui)   Veja também: Especial: Perfil de Jandira Feghali  Jandira Feghali diz que se eleita vai priorizar áreas carentes Áreas de pré-sal devem ficar com a Petrobras, diz Jandira Jandira diz que se for eleita vai evitar epidemia de dengue As regras para as eleições municipais    Tire suas dúvidas sobre as eleições de outubro     Para Jandira, auditoria precisa acontecer porque, além de preservar o prefeito, "o dinheiro é do povo". Ela defendeu ter auditoria externa regular sobre as contas públicas municipais e prometeu que, se eleita, a controladoria vai acompanhar as ações da administração desde o empenho e não só depois que o gasto estiver feito.   Ela criticou o atual prefeito, Cesar Maia (DEM), sem, contudo, citar o seu nome. "Hoje vivemos uma gestão autoritária e isolada", afirmou. De acordo com ela, a prefeitura "não se relaciona com o presidente nem com o governo do Estado nem com a sociedade". Segundo Jandira, "a Prefeitura do Rio precisa ser liderança política".    Jandira disse que não vai aceitar doações de ninguém que comprometa  a independência de sua gestão. "Nada que comprometa independência da gestão, quem queira mandar na gestão não vou aceitar recurso", disse.  "O lugar do Exército não é nas favelas, esse não é o papel deles, desmoraliza essa força".   A candidata contou que não encontrou problemas com milícias ao fazer campanhas pelas favelas cariocas. "Não tenho dificuldade com milícia,  , entramos com pessoas representativas (..) se tivermos dificuldades, a gente volta. Não vou entrar com gente armada no bairro de ninguém, acho um acinte", disse.   Ainda sobre a segurança, a candidata disse ser contra a presença das Forças Armadas no Rio e que favela não é lugar de polícia.   Para Jandira, segurança é um tripé: inteligência, prevenção e repressão. No entanto, entende que atualmente a política de segurança é só de repressão sem inteligência ou prevenção. Ela defendeu que a Guarda Municipal atue, por exemplo, em portas de escola, evitando o tráfico de drogas nesses locais e que ela não bata em camelôs.   Saúde   Ela destacou como prioridades saúde, educação e transporte. E lembrou que é médica: "Fui em postos em que as pessoas estão marcando consulta para setembro de 2009". Na educação, ela defende o fim da aprovação automática: "Precisamos superar a aprovação automática, passa de qualquer jeito. Também não queremos reprovação automática. Queremos tempo integral nas escolas, integrando esportes, cultura e ensino profissionalizante".   No transporte, propõe a adoção do Bilhete Único e a transformação dos ramais dos trens da Central do Brasil em metrô. Ela também falou da integração da saúde e da educação, com programas de saúde nas escolas, e da necessidade de "cuidar bem de quem cuida" dessas duas áreas, com atualização permanente e planos de cargos e salários.   Jandira liga o tema de transportes à favela, que considera que crescem por falta de alternativa. De acordo com ela, oferecendo áreas de moradia popular ligadas a transporte em áreas como o Centro e a zona oeste, as favelas param de crescer. Ela pretende estabelecer parcerias com o governo federal e o Estado, inclusive para usar terrenos públicos para moradia popular.   "Favela é cidade. Por isso, tem que ser tratada como qualquer bairro", disse. Ela defendeu o Favela-Bairro como "bom projeto que não teve sucesso por incompetência", mas que não considera suficiente. Também elogiou o PAC das favelas, federal, mas destacou que o município precisa ter participação para escolher onde e como deve ser o PAC nas comunidades cariocas.   Outras sabatinas   Após a série de sabatinas promovida pelo Grupo Estado com candidatos a prefeito no Rio, será a vez de São Paulo, com transmissão ao vivo pela TV Estadão. Marcelo Crivella (PRB), Alessandro Molon (PT), Solange Amaral (DEM), Chico Alencar (PSOL), Jandira Feghali (PC do B) e Eduardo Paes (PMDB) participaram das entrevistas.   Em São Paulo, de 1º a 5 de setembro, serão sabatinados, no auditório do Grupo Estado, Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (DEM), Paulo Maluf (PP) e Soninha Francine (PPS). O evento acaba dia 8, com Ivan Valente (PSOL). O horário é o mesmo do Rio, das 11 às 13 horas. Informações e inscrições no http://www.estadao.com.br/sabatinas/home.htm       Texto atualizado às 12 horas

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