Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Temer defende Dilma e não se arrepende de carta para Bolsonaro

De acordo com ex-presidente, 'não há razão' para o PT evitar que Dilma tenha visibilidade na campanha de Lula; 'é um equívoco ignorar', disse

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2022 | 12h20

O ex-presidente Michel Temer disse que “não há razão” para o PT esconder Dilma Rousseff da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. “É um equívoco ignorar, porque ela tem presença, e tem uma presença também nacional, acho que pode ser utilizada”, disse em entrevista ao podcast Descomplica, Kelly! publicado nesta terça-feira, 18. 

Temer minimizou especulações de opositores sobre uma suposta tentativa do PT de afastar de Lula a imagem da ex-presidente, defendeu que Dilma “tem seus adeptos” e que, por isso, “pode colaborar com a campanha”. 

No mês passado, Dilma não participou do jantar do Grupo Prerrogativas promovido para premiar Lula e realizar o primeiro encontro público entre o petista e o ex-governador Geraldo Alckmin, que articula uma aliança para ser vice na chapa do ex-presidente. Alckmin foi a favor do impeachment de Dilma.

Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo afirmou que houve um "ruído de comunicação" que fez com que o convite não chegasse a Dilma e assumiu a responsabilidade pelo equívoco. 

No dia 4, a Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, publicou uma nota de solidariedade a Dilma. Na última quinta-feira, a ex-presidente e Lula se reuniram com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-ministro e presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante.

Bolsonaro

Na entrevista, Temer também disse não se arrepender de ter ajudado Jair Bolsonaro a redigir uma carta onde assume um compromisso público de moderação e reconstrução de pontes com o Supremo Tribunal Federal (STF) após declarações do presidente durante as manifestações de 7 de setembro. Temer acredita que a carta “deu resultado” e evitou problemas maiores 

“Deu resultado naquele momento. Nós evitamos uma grande conflagração até de natureza civil que poderia ocorrer”, afirmou. 

No dia 12, Bolsonaro pôs fim à trégua com o STF e distribuiu críticas aos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, vinculando os dois à campanha do PT ao Palácio do Planalto. O presidente acusou os magistrados de cassar “liberdades democráticas” para beneficiar a candidatura de Lula e disse que Barroso entende de “terrorismo”.

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