Jader volta e elege a lei como inimiga

Barrado em 2010 pela Ficha Limpa, peemedebista toma posse no Senado e enfatiza que, segundo STF, regras não valem para fatos pretéritos

ANDREA JUBÉ VIANNA, CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2011 | 03h04

O senador Jader Barbalho (PMDB-PA), empossado ontem à tarde em solenidade discreta da Mesa Diretora, elegeu a Lei da Ficha Limpa como um de seus maiores adversários, depois do ex-presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), com quem travou embates históricos no passado. "Eu jamais havia enfrentado, após ACM, um adversário tão difícil", declarou o peemedebista, que deixou de exercer 11 meses de mandato por ter sido barrado como ficha-suja nas eleições de 2010.

Durante a entrevista concedida após a posse, Jader pediu para homenagear ACM. Lembrou que, antes de morrer, o pefelista declarou que o episódio mais difícil de sua trajetória havia sido o confronto com Jader. "Eu queria retribuir essa homenagem", brincou Jader, afirmando que depois de ACM, a campanha da Ficha Limpa foi o episódio mais difícil de sua carreira. "Eu ouvia as pessoas lamentando que não votaram em mim porque os votos não seriam contabilizados, seriam anulados", reclamou.

Ao lembrar que votou a favor da Ficha Limpa como deputado, o senador insistiu na tese de que "as sociedades organizadas são regidas exatamente pela vigência das leis". Lembrou que foi o Supremo que definiu que uma lei não pode tratar de assuntos pretéritos e comparou a situação à revogação da Lei do Divórcio. "Seria como considerar bígamo todos os que tiveram um segundo casamento."

Embora tenha sido punido por ter renunciado ao mandato de senador em 2001, Jader disse que não se arrependeu porque não tinha alternativa.

Ele tomou posse exatos dez anos e 84 dias depois de renunciar ao mandato de senador para evitar a cassação.

Caretas. Em meio ao questionamento sobre o desconforto de ter sido barrado pela Ficha Limpa, quem constrangeu o senador foi seu filho de 9 anos, Daniel, ao perguntar qual a maior denúncia feita contra ele. Jader não respondeu, mas prometeu uma "entrevista exclusiva quando chegassem em casa".

Nem o presidente do Congresso, José Sarney (AP), nem o líder no Senado, Renan Calheiros (AL), prestigiaram a posse do correligionário, realizada em tom de "ato administrativo" da Mesa Diretora. Com a ausência dos colegas de partido, coube a petista Marta Suplicy, vice-presidente do Senado, oficializar o reingresso do paraense na Casa.

Os únicos peemedebistas presentes foram Waldemir Moka (MS), o segundo vice-presidente da Casa, e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR).

Como o Congresso está em recesso parlamentar, a diretoria-geral do Senado informou que Jader não receberá a ajuda de custo equivalente ao salário mensal de senador (R$ 26.723,23), pago a todos os parlamentares no final do ano. Terá direito apenas aos quatro dias do vencimento de dezembro (dos dias 28 a 31) - R$ 3.448,14. Receberá também as passagens aéreas de ida e volta de Belém a Brasília e a ajuda de custo que será paga no início de 2012, antes do reinício dos trabalhos legislativos, em fevereiro.

Último dos três senadores barrados pelo Ficha Limpa - também já assumiram o tucano Cássio Cunha Lima (PB) e o socialista João Capiberibe (AP) - Jader chega ao Senado em tempo de reforçar a bancada do PMDB que havia perdido dois parlamentares. Tanto Cássio como Capiberibe substituíram suplentes peemedebista. Jader, por sua vez, entra no lugar de Marinor Brito (PSOL) que não obteve liminar do STF para suspender posse.

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