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Já teve coxinha, pikachu e plenária na pré-campanha à Prefeitura de São Paulo

Período eleitoral só começa oficialmente na terça-feira, mas concorrentes já se mostram ao eleitor; Russomanno não quis melindrar o STF

Pedro Venceslau, Valmar Hupsel Filho e Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2016 | 18h43

João Doria (PSDB) já comeu coxinha e andou de metrô, a senadora Marta Suplicy (PMDB) dançou com um boneco Pikachu, o prefeito Fernando Haddad (PT) deixou o gabinete e foi à periferia para participar de “rodas de conversas” e eventos ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a deputada federal Luiza Erundina (PSOL) fez passeatas pedindo para participar dos debates na TV. 

Entre os principais candidatos à Prefeitura de São Paulo, apenas o deputado federal Celso Russomanno (PRB), o líder nas pesquisas de intenção de voto, deixou para começar sua campanha de fato na terça-feira, data estipulada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o início oficial do processo.

"Estive mais recolhido. Cumpri a legislação à risca para não dar margens a nada", disse Russomanno. O deputado em quinto mandato e apresentador de TV poderia, assim como seus adversários, ter feito pré-campanha, desde que não pedisse votos explicitamente.

A opção pela reclusão, porém, atendeu a dois objetivos. O primeiro e principal foi justamente se preservar. Ele temia que a aparição em eventos de rua soasse como provocação aos ministros do Supremo Tribunal Federal, que na terça-feira decidiram absolvê-lo da acusação de peculato (desvio de dinheiro público). A decisão do STF afastou a possibilidade de Russomanno ficar inelegível. 

Enquanto aguardava o julgamento, Russomanno se dividia entre a Câmara, as articulações de bastidores e, até o dia 30 de junho, também no limite da legislação, dois programas na Rede Record, emissora ligada à Igreja Universal do Reino de Deus.

O empresário João Doria adotou estratégia oposta para se tornar conhecido. Mais rico entre os candidatos – ele declarou à Justiça Eleitoral bens com valor total de R$ 179,7 milhões –, o tucano está gastando parte de sua fortuna para montar uma grande estrutura de campanha. Foi o primeiro a contratar marqueteiro, a gravar propagandas para o horário eleitoral gratuito e a montar uma base profissional de ação. Para tirar melhor proveito da coligação de 13 partidos, Doria criou a Casa do Vereador. No espaço, os 415 candidatos a vereador da coligação contam, gratuitamente, com assessoria jurídica e estúdios de vídeo e foto. 

Os últimos meses foram intensos para o empresário. Em vez de combater a fama de “coxinha”, adotou o salgado como marca registrada e fez-se fotografar diversas vezes saboreando a guloseima. Foi de metrô até Itaquera, na zona leste da capital – e voltou de carro –, andou de ônibus e promoveu dezenas de encontros em bairros de periferia. 

Nos últimos, passou a ser mais ousado e deu caráter de campanha explícita à agenda. Na terça-feira passada, por exemplo, vestido com calça preta e camisa social branca, com um suéter preto por cima, Doria gastou a sola de seu sapatênis branco de marca importada (sem meias) pelas ruas de Santo Amaro, na zona sul. Visitou um restaurante do Bom Prato, onde tomou cuidado de não comer “para não furar a fila”, mas não se furtou a vestir uma touca de cozinheiro e passou a mexer uma enorme panela de feijoada. 

Avesso a atividades de rua, o prefeito Fernando Haddad finalmente saiu do gabinete nos últimos meses. Ele tem feito incursões frequentes à periferia. Para otimizar suas agendas sem ferir a legislação, criou as “rodas de conversa”. Sem avisar a imprensa, Haddad vai até os bairros para fazer “visitas” às regiões.

Mesmo sem obras para inaugurar, o prefeito chega aos equipamentos públicos e avisa que está lá “mais para ouvir do que para falar”. O encontro logo se transforma em uma pequena plenária, com a participação de militantes. “Ele melhorou muito. Não é um prefeito de gabinete. Conhece a cidade”, diz o vereador Paulo Fiorillo, presidente do PT paulistano e um dos coordenadores da campanha. 

Em outra frente, o PT trabalhou nos últimos meses para tentar retomar suas bases no chamado “cinturão” vermelho, como são conhecidos os bairros onde o partido sempre teve suas melhores votações. O objetivo central é recuperar o eleitorado que simpatiza com a sigla, mas pretende votar em Marta Suplicy. “As marcas do PT são legados do PT. Mas é lógico que a Marta vai explorar isso”, disse Fiorilo.

A senadora vem usando seus fins de semana desde o ano passado para reativar suas bases na periferia da cidade. Nas últimas semanas, porém, Marta usou boa parte da agenda fora de Brasília para organizar a “fusão” com a campanha de Andrea Matarazzo, seu ex-rival tucano que hoje está no PSD. 

Só depois de unificar equipes e afinar plano de governo e discurso, a senadora foi para a rua com o vereador e candidato a vice. Segundo Matarazzo, a química foi boa. “Marta tem mais empatia que eu, indubitavelmente”, diz ele. Isso ficou evidente em um evento da comunidade japonesa, onde ela chegou a dançar com um boneco Pikachu enquanto ele observava sorrindo. “Cada um está buscando seus eleitores. Nosso discurso é muito parecido. Não há dúvidas do que falar”, afirmou Matarazzo. 

Com pouco tempo no horário eleitoral, Luiza Erundina (PSOL) tem concentrado suas ações em um movimento para convencer os adversários a deixá-la participar dos debates na TV. Nas caminhadas, uma assessora aborda eleitores oferecendo um abaixo-assinado que defende a participação de Erundina nos encontros. “Se não deixarem eu participar, vamos levar um carro de som para a porta da emissora e fazer um debate na rua”, disse a deputada federal. / COLABOROU LUIZ FERNANDO TOLEDO

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