Já na TV, 'paz e amor' domina despedida

Candidatos paulistanos deixam críticas de lado e aproveitaram o último dia de exibição do horário eleitoral para agradecer aos eleitores

ISADORA PERON , O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2012 | 03h08

Enquanto nas ruas as campanhas dos candidatos trocam ataques e ofensas - em declarações e panfletos-, o horário eleitoral de TV, encerrado ontem, foi utilizado por Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) para fazer agradecimentos ao eleitor paulistano.

Haddad afirmou que as pessoas reconheceram nele a "vontade de mudança" e Serra destacou o "carinho" que recebeu nas ruas durante a campanha.

"Quero agradecer a vocês de todo o meu coração pelo que conseguimos fazer juntos até agora, por termos construído uma campanha com sentimentos fortes, de mudança, esperança, força, coragem e principalmente coerência de propósito", disse o candidato petista.

Em seu programa, Serra fez o último apelo por votos e apresentou propostas. "Quero agradecer a sua atenção, o seu apoio e o seu carinho. Nesses meses em que estivemos juntos, procurei mostrar um pouco do que fiz e o que pretendo fazer se você me der a honra do seu voto. Tenho muitos projetos para São Paulo, sei que são bons e posso realizá-los", disse o candidato tucano.

O tom emotivo adotado pelos dois candidatos diante das câmeras contrastou com o clima de trocas de ataques entre as duas campanhas durante todo o dia de ontem. Em nota, o comitê de Serra chamou Haddad de "delinquente"; em resposta, o PT afirmou que a declaração mostra o "baixo nível" do adversário.

Críticas. Os 12 dias de horário eleitoral durante o 2.º turno também foram marcados pela troca de acusações entre os dois candidatos no rádio e na TV.

Nos primeiros programas, o tema dominante foram as críticas feitas pela campanha de Serra ao desempenho de Haddad como ministro da Educação. As falhas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a greve nas universidades federais deste ano fora os pontos mais explorados.

A estratégia foi empregada para rotular o petista como um mau gestor, que não estaria preparado para assumir a cidade de São Paulo. Haddad ocupou a pasta por mais de seis anos, nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff.

Em contrapartida, além de defender o seu legado na TV, os programas de Haddad passaram a questionar a atuação de Serra à frente do Ministério da Saúde e a atacar a atual situação da saúde pública na cidade. O candidato do PSDB ocupou a pasta entre 1998 e 2002, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Na reta final, outro tema ligado à saúde foi insistentemente explorado na TV: a questão das parcerias entre a Prefeitura e as Organizações Sociais (OS) na administração de hospitais e unidades de saúde no município. A campanha de Serra afirma que, se eleito, Haddad vai acabar com esses convênios. O petista usou a TV para garantir que manteria os contratos como estão.

As propostas de bilhete único de ônibus também foram tema dos programas de televisão. O petista já vinha desde o 1.º turno usando o horário eleitoral para divulgar o seu projeto de criar o Bilhete Único Mensal, modelo no qual o usuário pagará uma tarifa única e poderá andar de ônibus quantas vezes quiser.

Já Serra introduziu o tema à sua campanha nos últimos dias e usou a propaganda na TV para reforçar a ideia de que vai ampliar a duração do bilhete de 3 para 6 horas.

Por outro lado, o julgamento do mensalão foi menos utilizado no 2.º turno pelo tucano do que na primeira fase da disputa, mesmo depois de o Supremo Federal Tribunal condenar os petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares por formação de quadrilha e corrupção ativa. Num programa, porém, Serra disse que, ao contrário de Haddad, não daria cargos públicos "aos desempregados da quadrilha do mensalão". / COLABOROU GUILHERME WALTENBERG

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