Isolamento de Haddad alerta PT em SP e Lula age para enquadrar Marta

Eleição paulistana. Enquanto o tucano José Serra arregimenta apoios, como o anunciado ontem pelo PR, petista não consegue adesões e vê propaganda na TV cada vez menor; nos bastidores ex-presidente demonstra irritação com ausência de senadora

O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2012 | 03h17

No dia em que o PR anunciou apoio ao candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em cena para tirar a campanha de Fernando Haddad (PT) do isolamento. Irritado com a senadora Marta Suplicy (SP), que boicotou o ato de lançamento de Haddad, no sábado, Lula escalou o presidente do PT, Rui Falcão, para enquadrar a petista e determinou "intervenção branca" do partido para impor a candidatura do senador Humberto Costa no Recife.

A solução do impasse na capital pernambucana é agora a única condição imposta pelo PSB para anunciar o apoio a Haddad.

Lula tentou amenizar ontem o aval do PR a Serra, mas acusou o golpe e intensificou os esforços para acelerar a adesão de PSB e PC do B a Haddad. "É um pouco estranho o apoio do PR a Serra porque o partido está no governo federal", provocou Lula. Desde julho, porém, quando Alfredo Nascimento foi defenestrado do Ministério dos Transportes, o partido vive às turras com a presidente Dilma Rousseff.

"Agora, me parece que o PR entrou no governo estadual", afirmou o ex-presidente. "Mas o fato de a direção do PR ter feito acordo com o PSDB não significa que todos os vereadores e militantes vão trabalhar para eles."

Intervenção. Na tentativa de alavancar a campanha de Haddad, a Executiva Nacional do PT se reúne hoje, em São Paulo, com o objetivo de limpar o caminho para o PSB apoiar petista. Apesar da vigília prometida pelo prefeito de Recife, João da Costa (PT), que quer disputar a reeleição, a cúpula petista já acertou tudo com o PSB para aprovar resolução tirando-o do páreo. Por exigência do governador Eduardo Campos - que é presidente do PSB e virou desafeto do prefeito -, a cúpula vai impor a candidatura de Humberto Costa, como acordado entre Lula e Campos.

No outro front, o ex-presidente ainda tenta atrair Marta e pediu a Falcão, que foi secretário municipal quando ela era prefeita, para conversar com a senadora.

Depois de boicotar o ato de lançamento da candidatura de Haddad, no sábado, Marta se recusou ontem a atender companheiros do PT e manteve os celulares desligados. Ela ainda está magoada com Lula, que a obrigou a desistir em favor de Haddad.

"Deve ter acontecido algum problema com a Marta. Ela não é de falhar", amenizou o ex-presidente, após tomar vacina contra a gripe. "Tenho certeza de que ela estará presente na campanha, com o mesmo carinho com que eu vou participar."

Embora as declarações públicas sejam de compreensão, nos bastidores dirigentes do PT não se conformam com a atitude de Marta. Ontem, a senadora divulgou nota de duas linhas, informando que um impedimento "de caráter privado" a impossibilitou de ir ao encontro do PT.

A nota foi recebida com preocupação. O clima de apreensão foi agravado depois que o deputado estadual Edinho Silva, presidente do PT paulista, disse ao Estado que Marta está cometendo um grave erro político ao se ausentar da campanha. Contrariado com as estocadas de Silva, Rui Falcão disse que Marta "é a maior liderança de São Paulo e vai saber participar da campanha quando for mais útil".

Valorizando o passe do PC do B, o ex-ministro do Esporte Orlando Silva afirmou estar preocupado com a candidatura de Serra. "Espero que essa movimentação do PR sirva para que os partidos da base da presidente Dilma estejam alerta em São Paulo, já que o campo adversário se fortalece cada vez mais." / VERA ROSA, DAIENE CARDOSO, FERNANDO GALLO e LAURIBERTO BRAGA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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