Isolados no PSB, Amaral e Erundina criam terceira via

Membros não apoiam nem o PSDB, de Aécio Neves e não querem continuidade do PT, de Dilma Rousseff

Erich Decat e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2014 | 17h58

Ausente do encontro do Diretório Nacional do PSB realizado nesta segunda-feira em Brasília, o ex-presidente da legenda Roberto Amaral assinou manifesto que sacramentou o racha interno e a criação de uma nova via. A reunião serviu para eleger a nova composição da Executiva Nacional que comandará a legenda pelos próximos três anos. O presidente eleito foi Carlos Siqueira, ligado ao grupo de Eduardo Campos, morto no último mês de agosto.

O documento foi lido no encontro pela senadora Lídice da Mata (BA) que também coletou apoio de outros 13 integrantes da legenda. "É um documento daqueles que não votaram pró-Aécio, reafirmando o seu posicionamento e constituindo um novo campo, uma renovação política e ideológica do PSB. É uma terceira via pregando a continuidade de a gente não se definir nem pelo PT nem pelo PSDB, não só agora como também numa futura composição de governo", afirmou a senadora ao Broadcast Político.

"Consideramos que a decisão da comissão Executiva Nacional foi eleitoral e episódica e não fala para a política, a esquerda e o socialismo renovador. Insistimos na denúncia desse dualismo e permanecemos unidos na construção de uma terceira via que ofereça ao povo efetivas condições de escolha", diz trecho do manifesto. Na última sexta-feira (1), o PSB aderiu à campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB) após chegar em terceiro colocado na disputa com Marina Silva. Ligado ao PT, Amaral ficou isolado e não conseguiu se reeleger ao comando nacional do PSB.

Além de Amaral, também assina o documento a deputada Luiz Erundina (SP) que chegou a declarar na semana passada que a adesão à campanha de Aécio seria uma atitude "vexatória". Ela também não participou do encontro desta segunda-feira e ficou de fora da chapa que elegeu a nova composição da Executiva Nacional.

"A relação ficou estremecida com certeza mas é um momento de transição e tínhamos que escolher um presidente que não teria problemas internos", considerou o governador de Pernambuco, João Lyra Neto (PSB).

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