Irmão do ministro é exonerado da Codevasf

Depois de ficar por quase um ano na presidência da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), Clementino Coelho, irmão do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, foi demitido ontem. Nesta semana, ele tinha perdido o comando da companhia e ontem o Diário Oficial trouxe sua exoneração, a pedido, do cargo de diretor de Desenvolvimento Integrado e Infraestrutura.

EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2012 | 03h07

A saída acontece depois de o Estado mostrar o uso de uma brecha na legislação para que o irmão do ministro ficasse quase um ano à frente da principal estatal da pasta. Como não poderia ser nomeado para a função, Clementino foi mantido como interino com base em uma regra estatutária que determina o exercício provisório do comando da companhia pelo diretor mais antigo na função.

Um decreto presidencial de 2010 proíbe a nomeação de familiar de ministro. Determina ainda não poder haver subordinação direta entre parentes. Com respaldo da Casa Civil e da Controladoria-Geral da União (CGU), porém, foi permitido a Clementino permanecer no cargo de diretor porque sua nomeação foi anterior a de Bezerra. Em relação à presidência da estatal, por ser interina, a atuação também foi autorizada.

O fato é que durante quase um ano a situação de interinidade foi mantida e Clementino obteve os bônus políticos do cargo, como a participação em eventos ao lado do irmão em Petrolina (PE), cidade onde a família tem forte atuação. Nos últimos dias surgiram suspeitas de direcionamento de recursos para a região e de benefício a pessoas próximas à família.

Diante do desgaste, na terça-feira o ministério nomeou Guilherme Almeida Gonçalves de Oliveira para a presidência da Codevasf, em caráter interino, e anunciou que o irmão do ministro permaneceria como diretor. Não houve, porém, condições políticas para a manutenção e Clementino deixou também essa função.

Em depoimento no Congresso, ontem, o ministro voltou a defender a legalidade da atuação do irmão como presidente interino da Codevasf. Alguns parlamentares saíram em sua defesa. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), afirmou ter conhecimento que desde fevereiro de 2011 o ministro defendia a substituição do irmão. A Casa Civil, porém, diz que somente no dia 5 de setembro do ano passado chegou o pedido para a nomeação de Almeida para a presidência interina da estatal.

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