Irmão de Campos defende Marina como candidata à Presidência

Antonio Campos vai manifestar posicionamento em carta ao PSB e diz que escolha seria coerente com pensamento do ex-governador

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2014 | 11h43

Atualizado aàs 15h18

RECIFE - Único irmão do ex-governador Eduardo Campos, o advogado Antonio Campos defende que a candidata a vice, Marina Silva, assuma a candidatura à Presidência pelo PSB no lugar do ex-governador, morto nessa quarta-feira em um acidente aéreo em Santos. "Vou defender publicamente e dentro do partido esta posição", afirmou ele, em entrevista por telefone, ao Estado, na manhã desta quinta-feira, 14. Ouça a entrevista na 'Rádio Estadão'.

"Marina vai agregar valor à chapa presidencial e ao debate no Brasil", afirmou ele, ao anunciar que vai encaminhar uma carta ao partido explicitando sua defesa. "Se meu irmão chamou Marina para ser sua vice, com esta atitude ele externou sua vontade", afirmou Antonio Campos, confiante de estar defendendo a posição que o ex-candidato aprovaria.

"Acho que o mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e de correr riscos para viver seus sonhos", destacou ele. "Eduardo morreu na busca de um caminho para melhorar a nação". Para o advogado, Marina Silva "tem essa capacidade de empunhar uma luta que debata os caminhos do Brasil e crie novos caminhos para melhorar este País".

O PSB ainda não fala sobre questões eleitorais. A interlocutores, Marina Silva também evita o assunto. De acordo com a legislação eleitoral, o PSB tem dez dias para indicar um novo candidato. Dentro da coligação, composta pelo PPS, PHS, PRP, PPL e PSL, Marina é tratada como sucessora natural.

Antonio Campos disse não ter conversado com Marina sobre o assunto, mas reforçou que se Eduardo Campos lutava para abrir uma nova via política, fora da polarização entre PT e PSDB, Marina deve ser o nome escolhido pela coligação.

"Falo como membro do diretório nacional do PSB, com direito a voto, como o neto mais velho vivo do ex-governador Miguel Arraes e presidente do Instituto Miguel Arraes", disse ele, ao lembrar da luta do avô para construir o partido socialista.

Leia a íntegra da carta:

'Não vamos desistir do Brasil'

A minha perda afetiva do único irmão é imensa, mas é grande a perda do líder Eduardo Campos, político de talento e firmeza de propósitos.

A nossa família tem mais de 60 anos de lutas políticas em defesa das causas populares e democráticas do Brasil. O meu avô Miguel Arraes foi preso e exilado, não se curvando à ditadura militar. Eduardo Campos continuou o seu legado com firmeza de propósitos, tendo trazido uma nova era de desenvolvimento para Pernambuco. Desde 2013 vinha fazendo o debate dos problemas e do momento de crise por que passa o Brasil, querendo fazer uma discussão elevada sobre nosso país. Faleceu em plena campanha presidencial, lutando pelos seus ideais e pelo que acreditava.

O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e de correr o risco para viver os seus sonhos pessoais e coletivos. Ambos faleceram, no dia 13 de agosto, e serão plantados no mesmo túmulo, no Cemitério de Santo Amaro, em Recife, túmulo simples, onde consta uma lápide com a frase do poeta Carlos Drummond: " tenho duas mãos e o sentimento do mundo". Essas sementes de esperança e de resistência devem inspirar uma reflexão sobre o Brasil, nesse momento, para mudar e melhorar esse país, que enfrenta uma grave crise, sendo a principal dela a crise de valores. Não vamos cultivar as cinzas desses dois grandes líderes, mas a chama imortal dos ideais que os motivava.

Como filiado ao PSB, membro do Diretório Nacional com direito a voto, neto mais velho vivo de Miguel Arraes, presidente do Instituto Miguel Arraes - IMA e único irmão de Eduardo, que sempre o acompanhou em sua trajetória, externo a minha posição pessoal que Marina Silva deve encabeçar a chapa presidencial da coligação Unidos Pelo Brasil liderada pelo PSB, devendo a coligação, após debate democrático, escolher o seu nome e um vice que una a coligação e some ao debate que o Brasil precisa fazer nesse difícil momento, em busca de dias melhores. Tenho convicção que essa seria a vontade de Eduardo.

Agradeço, em nome da minha família enlutada, as mensagens do povo brasileiro e de outras nacionalidades.

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