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Irmão de assassino de Chico Mendes apoia Marina

Produtor rural, Aleci Alves da Silva percorre ruas do interior do Acre fazendo campanha para afilhada política do líder seringueiro morto em 1988

Adriana Carranca , O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 00h48

O produtor rural Aleci Alves da Silva, irmão de Darly Alvesda Silva, condenado pelo assassinato do líder seringueiro Chico Mendes – comquem Marina Silva ingressou no ativismo ambiental e na carreira política –, dizque “vai ser muito bom para o Brasil” se a candidata do PSB à Presidênciavencer as eleições.

Todos os dias, Aleci percorre as ruas do pequeno municípiode Senador Guiomard, a 30 quilômetros de Rio Branco, em uma velha caminhonete,ao som de Marinar vou Eu, de Gilberto Gil. No peito, o adesivo com o número 40e a frase Marina Silva Presidente. “Aqui mesmo sou só eu fazendo campanha pra Marina.Não tem outro”, diz Aleci. Ao fundo, o som ambiente do jingle da candidata doPSB, com que intercala a primeira música em seu MP3: “Não vamos desistir doBrasil e vamos juntos com Marina!”.

Questionado sobre o crime cometido em 1988, pelo qual seuirmão e o sobrinho, Darci Alves, foram condenados, Aleci diz que “tudo na vidapassa e isso também passou”. “Eu tenho quatro filhos, quero deixar um bomfuturo para eles, e acho que vai ser muito bom para o Brasil e para o Acre se aMarina ganhar”, declarou Aleci. Na fazendo da família, ele cria gado leiteiro,produz queijos e trabalha com piscicultura. “O mais adequado para a região é apreservação. Naqueles tempos, a gente não sabia.”

Aleci, que também é servidor público estadual, elogia apolítica ambiental adotada pelo governador do Acre, Tião Viana, candidato àreeleição pelo PT e aliado do PSB no Acre. Segundo Aleci, o petista e aex-ministra têm “o mesmo projeto de governo”. Entre um pedido e outro de votopara Marina, ele pede votos também para Viana.

“Eu gostava do Eduardo Campos e não sou homem de pular fora.Quando entro num projeto, vou até o fim”, disse, referindo-se ao ex-candidatodo PSB, morto no mês passado. “Deus sabe o que faz! E eu faço o que é melhorpara o povo: Tião Viana é o melhor governador que o Acre já teve. Meu voto e detoda a minha família vai para ele e para Marina presidente.”

Aleci diz que o Acre é “como um jogador da reserva, quequando coloca as chuteiras o jogo já acabou”. “Nós estamos 2 horas atrás de SãoPaulo. Quando a gente ainda está votando aqui, as eleições acabaram aí e vocêsjá sabem até o resultado”, afirmou. “Vocês que moram aí no Sul ficam sacaneandoo Acre, mas se Marina for presidente, ela vai colocar o nosso Estado no mapa doBrasil. O Sul vai saber que o Acre também é Brasil. Vai ser bom demais. Vocêsvão ver!”

Aleci diz ter se filiado ao PSB há sete anos e chegou aanunciar sua candidatura a deputado estadual pelo partido, mas o TribunalRegional Eleitoral barrou por “ausência de filiação”.

Ativismo. Marina, hoje no PSB, foi fundadora do PT do Acreao lado de Chico Mendes, amigo de luta na defesa dos seringueiros e contra odesmatamento. Ela ouviu falar sobre o trabalho que ele fazia nos seringais deBrasileia e Xapuri quando estava no convento e participou de um curso deformação de lideranças rurais, como parte das ações das recém-criadasComunidades Eclesiais de Base por padres e missionários católicos signatáriosda Teologia da Libertação.

Liderado por Chico Mendes, o movimento dos seringueiros doAcre surgiu em paralelo ao movimento dos trabalhadores no Grande ABC, em SãoPaulo. Foi quando Marina conheceu Chico Mendes e Luiz Inácio Lula da Silva. Elase juntou ao movimento dos seringueiros contra o desmatamento, promovidoprincipalmente por ruralistas do Sul.

Em 1984, Marina ocupou o cargo de vice-coordenadora daCentral Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre, da qual Chico Mendes era opresidente. Filiou-se ao PT em 1985. Em 1986, concorreu para deputada federalem dobradinha com Chico Mendes, que disputou vaga na Assembleia Legislativa doAcre. Ambos foram derrotados.

Crime. Em 1988, Marina foi eleita a vereadora mais votada deRio Branco. Chico Mendes foi assassinado no mesmo ano, surpreendido com um tirode escopeta calibre 22 no peito, quando abria a porta de sua casa em Xapuripara tomar banho – o chuveiro ficava no quintal. Ele tinha 44 anos.

Darly e o filho Darci Alves, respectivamente irmão esobrinho, foram condenados a 19 anos de prisão. Aleci disse que está escrevendoum livro, com o qual promete limpar o nome da família. E discorreu sobre osbenefícios das reservas ambientais para o turismo no Acre. “O que aconteceu como meio ambiente aqui foi muito bom. Há 7 ou 8 verões era diferente, o povoestava ficando doente... Mas, hoje, estamos terminando o verão e a chuva jáchegou. Está tudo verdinho, como tem que ser. Uma beleza isso aqui.”

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