IR de sobrinho de Cachoeira tem irregularidade

Leonardo Augusto Ramos, sobrinho de Carlinhos Cachoeira e responsável por emitir os cheques que pagaram a casa do governador Marconi Perillo, não conseguiu comprovar à Receita Federal a variação de seu patrimônio. Em 2011, o valor descoberto foi de R$ 1,3 milhão. Uma nota técnica encaminhada pelo órgão aos parlamentares da CPI do Cachoeira aponta irregularidades nas contas e nos bens do sobrinho do contraventor.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2012 | 03h10

"O contribuinte apresentou indício de variação patrimonial a descoberto nos anos 2008, 2009, 2010 e 2011, respectivamente, nos valores de R$ 211.114,64, R$ 36.189,13, R$ 110.161,32 e R$ 1.347.625,73", afirma a Coordenação de Estudos da Receita, que analisou as declarações de Leonardo Ramos entre os anos de 2007 e 2011.

O sigilo fiscal de Leonardo foi quebrado pela CPI depois que o delegado da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues disse, em depoimento aos parlamentares, que o sobrinho do contraventor deu três cheques para adquirir o imóvel onde o tio foi preso.

A casa no condomínio Alphaville, em Goiânia, pertencia ao governador e teria sido vendida por R$ 1,4 milhão, valor total dos três cheques. Perillo disse que vendeu para o empresário Walter Paulo Santiago e que a casa estava emprestada para Andressa Mendonça, noiva de Carlinhos Cachoeira.

Os documentos indicam que, em 2011, ano da venda da casa de Perillo, o sobrinho de Cachoeira comprou cinco imóveis em Anápolis (GO), somando mais de R$ 1 milhão. Segundo a Receita Federal, o patrimônio declarado dele é de R$ 1,9 milhão.

Leonardo é sócio-administrador da Excitant Indústria e Comércio, confecção de roupas infantis em Anápolis (GO), e detém 5% do capital da empresa. No ano passado, ele declarou ter rendimentos de R$ 23,2 mil.

Além de emitir os cheques para pagar a casa, a Excitant aparece na quebra de sigilo bancário de empresas de fachada usadas pelo esquema de Cachoeira para lavar dinheiro da Delta Construções. Segundo a Polícia Federal, a empresa recebeu R$ 250 mil da conta bancária da Alberto e Pantoja Construções e Transportes Ltda. A Excitant também é citada em conversas telefônicas de integrantes da quadrilha de Cachoeira. / A.R.

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