Investigado, Paulo Vieira pede demissão de cargo

Apontado como chefe de esquema de venda de pareceres era diretor de agência de águas e chegou a ser preso pela PF na Operação Porto Seguro

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, FAUSTO MACEDO / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 23h49

Apontado pela Operação Porto Seguro como chefe de uma quadrilha que teria se instalado em órgãos públicos para compra de pareceres técnicos fraudulentos, o diretor afastado de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Vieira, pediu exoneração do cargo. Em carta enviada ao Palácio do Planalto, ele alegou "motivos pessoais" para deixar o posto que alcançou em 2011, beneficiado pela intermediação da então chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha.

A exoneração de Vieira será publicada no Diário Oficial de hoje. O criminalista Pierpaolo Bottini, que defende Vieira, disse que ele protocolou ontem o pedido de desligamento na própria agência. Vieira foi nomeado pela Presidência da República, após passar por uma sabatina no Senado. "Foi uma decisão dele, em caráter particular", disse Bottini.

O governo espera agora carta de demissão de Rubens Vieira, irmão de Paulo, diretor afastado da Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Os pedidos de demissão dos irmãos Vieira não encerram a investigação a que os dois estão sendo submetidos por uma comissão de sindicância.

Na quarta-feira, Paulo Vieira protocolou na Justiça Federal em São Paulo pedido de restituição de dois veículos dele apreendidos pela Porto Seguro. Ele argumenta que o mandado de busca expedido pela 5.ª Vara Criminal Federal determinava a apreensão de documentos e outros itens exclusivamente relacionados com a investigação. Segundo a defesa de Vieira, os carros que a PF recolheu "não têm nenhum vínculo com os fatos em apuração".

Ontem, sete associações de mutuários da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) pediram compartilhamento de dados da Porto Seguro à 5.ª Vara Criminal da Capital, onde tramita ação penal contra ex-dirigentes da entidade.

O argumento central das associações é que a investigação da PF revela que Rose Noronha teria se beneficiado de suposto esquema de corrupção para quitar boletos de cobrança da Bancoop - Rose e um irmão dela, Edson Lara Nóvoa, são cooperados do Empreendimento Torres da Mooca.

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