Investigado, número 2 do Trabalho é demitido

Após operação da PF, Paulo Roberto Pinto, secretário executivo da pasta, deixa o cargo; PDT quer afastar crise do gabinete do ministro Manoel Dias

Fábio Fabrini e Eduardo Bresciani / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2013 | 02h03

O secretário executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Paulo Roberto dos Santos Pinto, pediu nesta terça-feira, 10, demissão do cargo, um dia após a Polícia Federal ligá-lo a novo esquema de desvio de recursos na pasta. Em carta ao ministro Manoel Dias (PDT), que inicialmente preferiu manter o aliado no cargo, ele disse que sai para provar sua "inocência". Ao sacrificar o número 2 do Trabalho, a intenção do PDT é afastar a crise do gabinete de Dias e evitar mais desgastes ao partido.

A PF prendeu nesta segunda-feira 22 pessoas, acusadas de fraudes em convênios do ministério e de vários Estados com o Instituto Mundial de Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC). Um dos investigados, Paulo Pinto é suspeito de ignorar irregularidades da Oscip - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - e de pressionar a Controladoria-Geral da União para que retirasse a entidade do cadastro de proibidas de receber recursos federais.

Na carta a Dias, o secretário disse ter agido baseado em pareceres da área técnica, de acordo com "princípios éticos". O ministro afirmou não ter demitido Paulo Pinto de imediato, como fez com os demais servidores da pasta, porque precisava "amadurecer" o caso.

Ele procurou se desvincular do assessor Anderson Brito, um dos presos, que foi nomeado em sua gestão para o cargo de "assessor do ministro". Segundo o ministro, Brito, na prática, não trabalhava em seu gabinete, mas na Secretaria Executiva. O assessor, acusado de receber propina, se entregou na noite de anteontem. O subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração, Nilton Fraiberg Machado, substituirá Paulo Pinto interinamente.

Assédio. Conforme o inquérito da Operação Esopo, o IMDC assediava servidores e autoridades para conseguir convênios de programas como o Pró-Jovem. Os serviços eram superfaturados ou nem sequer prestados. Nos cálculos da PF, o esquema pode ter desviado R$ 400 milhões.

Relatório da operação, obtido pelo Estado, diz que empresas de fachada, usadas no esquema, receberam mais de R$ 10 milhões. Elas serviriam apenas para emprestar dados e contas bancárias para o saque de "quantias milionárias" pelo grupo investigado. A Gráfica Indianara, com sede em Congonhas (MG), teria recebido R$ 2 milhões sem ter nenhum funcionário ou movimentação financeira.

Prefeitos. Em depoimentos prestados à PF na cadeia, ex-prefeitos disseram que o deputado Ademir Camilo (MG), que deixou o PDT para se filiar ao PSD, era quem conseguia liberar recursos para municípios do norte de Minas que contratavam o IMDC. Assessor do parlamentar até julho, Marcos Vinícius da Silva atuava junto às prefeituras para facilitar as parcerias com a entidade e agilizar pagamentos, conforme o inquérito. Considerado foragido, ele foi demitido pelo parlamentar após outra operação da PF, a Violência Invisível, ligá-lo a esquema de falsificação de precatórios.

Suspeito de receber propina para favorecer o IMDC, o ex-prefeito de Januária (MG) Maurílio Neris afirmou que a verba para a cidade foi indicada pelo deputado, que teria "forte influência na entidade". O ex-prefeito de São João da Ponte Fábio Cordeiro disse à PF que conheceu o Pró-Jovem em reunião com o parlamentar e que ele era quem "tratava com o ministro Carlos Lupi (que deixou o cargo em dezembro de 2011) a respeito da liberação da verba".

O deputado não está entre os investigados. Ele negou ter "influência" no IMDC e disse que pediu verbas para as cidades de Minas, de forma "global", e "não para a entidade".

Segundo Camilo, o assessor Marcos Vinícius não tinha sua autorização para fazer nenhuma intermediação. O advogado do ex-assessor não foi localizado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.