'Investigações da Petrobrás continuam'

'Investigações da Petrobrás continuam'

Eleito com 232,7 mil votos no Rio, peemedebista é favorito para presidir a Câmara dos Deputados no ano que vem

Entrevista com

Eduardo Cunha

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 23h20

A reeleição da presidente Dilma Rousseff fortalece a determinação do PMDB em brigar pela presidência da Câmara, apesar de os petistas terem feito, com estreita vantagem, a maior bancada de deputados. O candidato do PMDB será o líder Eduardo Cunha (RJ), que, embora resista em lançar a própria candidatura, já tem um discurso pronto de enfrentamento com os petistas. “O PT é submisso ao poder central”, ataca. A nova legislatura começa com 66 deputados do PMDB e 70 do PT.

Cunha articula a formalização do “blocão” na próxima legislatura. O grupo foi criado informalmente este ano com PTB, PR e PSC e impôs uma série de derrotas ao governo. Reeleito com 232,7 mil votos, teve o melhor desempenho entre os deputados do PMDB do Rio e foi o terceiro colocado entre todos os candidatos do Estado. No domingo, manteve mistério sobre seu voto para presidente. O peemedebista fez campanha pela reeleição do governador Pezão (PMDB).

Dilma pode se preparar para mais dor de cabeça. Cunha anunciou neste domingo que vai apoiar a criação de uma “nova CPI da Petrobrás”, para investigar denúncias de corrupção que envolvem a estatal, empreiteiras e partidos. O líder diz que a atual CPI será encerrada sem apurar informações importantes, decorrentes dos acordos de delação premiada, e por isso as investigações devem continuar.

Com a reeleição de Dilma, com margem estreita, o PT se fortalece para disputar a presidência da Câmara. O senhor está pronto para lançar sua candidatura?

Não vamos dar ao PT a hegemonia do poder. Da parte do PMDB não há nenhuma boa vontade de apoiar uma candidatura do PT. É mais fácil o PMDB votar em outro candidato à presidência da Câmara que valorize o Legislativo. O PT é submisso ao poder central. Queremos uma Câmara respeitosa, mas sem desprezar a vontade do parlamento.

O senhor trabalha para formar um bloco com outros partidos?

Todos os partidos estão conversando. Vamos formar um bloco que será a maior bancada da Câmara. Vamos formalizar o “blocão”, até para mostrar que era uma coisa séria. Não falamos em fusão de partidos, mas em formação de bloco parlamentares.

O “blocão” será a base de sua candidatura?

Ninguém é candidato de si mesmo. Sou por enquanto candidato a continuar líder da bancada do PMDB. Se eu continuar e a bancada e os aliados desejarem uma candidatura a presidente da Câmara vamos discutir.

Afinal, em quem o senhor votou para presidente?

Seria incoerente eu falar agora. Para eu conduzir minha bancada, era importante manter neutralidade. E eu fiz parceria com deputados estaduais aliados de Dilma, de Aécio e de Everaldo. Se eu tivesse uma posição (na disputa presidencia), poderia perder votos.

Como imagina o segundo mandato da presidente Dilma?

Ela é vencedora em um processo de acirramento. Vai ter que ter muita habilidade, senão vai ter um País dividido. Se Dilma optar pelo modelo de continuar o confronto, terá um segundo mandato pior que o primeiro. Dilma terá uma base menor e uma oposição mais acirrada e atritada. A bancada eleita do PMDB ficou dividida entre Aécio e Dilma. A presidente tem metade do PMDB e o segredo é a outra metade. Vamos tentar manter a bancada unida. A presidente vai ter que conversar.

O PMDB vai reivindicar ministérios mais importantes?

Há um ano assumimos uma posição de independência. Esse processo depende da presidente. Não posso falar por mim, muitas vezes confundem as posições que expresso com minha posição pessoal.

Qual será o peso das denúncias de corrupção na Petrobrás na Câmara, em 2015?

A Petrobrás é a grande CPI certa do início da legislatura. O parlamento vai chegar sob a égide das denúncias mais fortes e a CPI terá meu apoio.

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