JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2012 | 02h05

contra mídia

A vitória de André Vargas sobre Paulo Teixeira na disputa interna do PT pela vaga de vice-presidente da Câmara é uma vitória do grupo do ex-ministro José Dirceu, condenado no julgamento do mensalão, e do presidente da sigla, Rui Falcão. E uma derrota do governo. Os ministros Gilberto Carvalho e Ideli Salvatti, e o líder Arlindo Chinaglia (PT-SP), trabalharam pela eleição de Paulo Teixeira (SP), considerado um "petista light". Uma das bandeiras que Vargas tentará transformar em pauta no ano que vem é a votação de projetos de regulamentação da mídia. Vai precisar, porém, do PMDB, que terá o controle da pauta.

Na memória

A condição de relator da cassação de José Dirceu no Conselho de Ética, em 2005, reduz a margem de traição pelo PT da qual poderia se beneficiar o deputado Julio Delgado (PSB-MG) candidato alternativo ao do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), para a presidência da Câmara. "Ele foi muito feroz contra Dirceu", diz um petista ao lembrar o relatório de Delgado que orientou o plenário.Nem morto

O PMDB mobilizará uma tropa de choque para evitar, na próxima semana, a votação do requerimento de convocação de Marcos Valério para esclarecer as denúncias contra o ex-presidente Lula. Ao lado do PT, o partido lidera articulação para derrotar, ou se possível, impedir a apreciação do requerimento na Comissão de Constituição e Justiça. O presidente do colegiado é o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), ex-ministro do governo Lula. A palavra de ordem é, Valério, "nem morto".

Nova versão

O governador petista Agnelo Queiroz quer conduzir o deputado Agaciel Maia (PTC) - pivô do escândalo dos atos secretos no Senado - à presidência da Câmara Legislativa do DF. A ideia é indicar o presidente eleito da Casa, Wasny de Roure (PT), para o Tribunal de Contas. Como vice, Maia assumiria o comando da Casa.

Vem do líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), uma das raras manifestações lúcidas do PT, em forma de receita para evitar escândalos: simplesmente não produzi-los. Aos repórteres Débora Bergamasco e João Domingos, o deputado considera ainda que a exploração política dos erros do partido é "legítima" (ver matéria na página A6).

E arremata: "O PT tem que criar seus mecanismos de defesa. Quanto mais evitar o malfeito, mais fará a sua parte". Por óbvia, a declaração não deveria chamar a atenção, mas no contexto de negação a que se entregou o partido, ganha importância indiscutível.

Se sincera, e não retórica, a máxima respalda a defesa de investigação das denúncias que se acumulam contra o partido, entre as quais, as mais recentes do publicitário Marcos Valério. Sua condição de condenado pode comprometer a credibilidade do depoimento, mas não o dispensa de apuração.

Na teoria jurídica é correto condicionar a legitimidade da delação premiada ao arrependimento do criminoso, mas na vida real esse recurso é motivado pelo interesse de reduzir as consequências penais, numa negociação entre Estado e réu.

O que importa não é a motivação de Valério - se tardia ou contaminada -, mas a constatação de que seu depoimento tem pontos factíveis, como o da cobrança de pedágio no Banco do Brasil em contratos de publicidade.

Surge até lógica, se considerado o envolvimento do banco no desvio de dinheiro para o mensalão. De tão simples, essa apuração deveria ser do interesse da própria instituição financeira.

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