Intervenção no Recife é 'stalinismo', diz aliado de prefeito

Grupo próximo a João da Costa, impedido de concorrer à reeleição, articula frente contra imposição de 'paulistas'

O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2012 | 04h19

Alvo de intervenção da direção nacional do PT, a regional pernambucana do partido, ligada ao prefeito do Recife, João da Costa, articula reação de petistas de todo o Brasil ao que denomina "golpe de força do comissariado paulista".

Inconformado com o veto da Executiva Nacional à reeleição do prefeito e à imposição do senador Humberto Costa (PT-PE) como candidato, o grupo de João da Costa já está organizando uma reunião de dirigentes estaduais do PT no Recife, para reagir ao "perigoso" e "stalinista" precedente da intervenção, nas palavras do deputado federal Fernando Ferro (PT-PE).

O prefeito desembarca hoje na capital pernambucana, após passar por São Paulo, e deve ser recebido por militantes mobilizados por seus aliados.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, negou ontem que a intervenção no diretório municipal do Recife tenha sido feita para atender a uma exigência do PSB, que apoiará o petista Fernando Haddad na eleição para a Prefeitura de São Paulo. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), trabalhou para derrubar a candidatura de João da Costa.

Fernando Ferro, expoente da ala mais próxima do prefeito, protestou ontem, da tribuna da Câmara, contra a operação política articulada nos bastidores pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em parceria com o PSB, para abrir espaço à candidatura de Humberto Costa. "Isso é uma violência sem precedentes", rebelou-se Ferro, que disse ter recebido manifestações de solidariedade de aliados e petistas de diversos Estados.

Biografia. Segundo o deputado, é muito ruim para o PT "passar a ideia de que o objetivo do veto é impor uma indicação biônica de um agrupamento paulista". "Só posso dizer que Humberto Costa não merecia colocar isto na biografia dele e que não tenho condições de votar nele depois desse golpe."

Ferro isenta Lula de responsabilidade na operação "truculenta" para apear o prefeito da candidatura à reeleição. "Lula tem cacife e argumento político para negociar uma solução que seja importante para o projeto nacional do partido, até para dar espaço para o prefeito sair com dignidade, mas não foi isso que aconteceu", disse o parlamentar, lembrando que, ao chegar à reunião da Executiva Nacional, em São Paulo, João da Costa foi abordado pelo presidente nacional do PT. Antes mesmo de o colegiado discutir a questão, o prefeito foi avisado de que a decisão estava tomada. "Foi uma postura stalinista, totalmente fora do contexto do debate democrático que se vive hoje", afirmou.

O presidente do PT no Recife, Oscar Barreto, citou ontem alguns caminhos para tentar salvar a candidatura do prefeito. Uma das possibilidades em análise é entrar com recurso na direção nacional para reverter a decisão. Outra hipótese, segundo ele, é recorrer até à Justiça comum.

João da Costa venceu uma eleição prévia no partido - teve 52% dos votos contra Maurício Rands, o preferido da cúpula nacional e também do governador Eduardo Campos. Rands é secretário de Governo na administração de Campos e pretendia concorrer com o apoio do PSB.

A prévia petista, porém, acabou anulada por causa de questionamentos sobre a composição do colégio eleitoral que aprovou a candidatura do prefeito.

Em meio a uma negociação para lançar Humberto Costa como candidato de consenso entre as correntes adversárias, Rands desistiu de concorrer, mas o prefeito manteve a intenção de disputar a reeleição. / CHRISTIANE SAMARCO, ÂNGELA LACERDA e DAIENE CARDOSO

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