Instituto nega favorecimento; servidor se cala

O Ministério do Turismo informou que instaurou processo administrativo disciplinar, avocado pela Controladoria-Geral da União (CGU), para apurar eventuais desvios de conduta de seus servidores nos convênios e parcerias firmados com o Instituto Marca Brasil (IMB).

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2012 | 03h08

A pasta não respondeu aos questionamentos do Estado, enviados por e-mail, explicando apenas que os instrumentos de transferência à entidade estão suspensos e são objeto de Tomadas de Contas Especiais (TCEs). O instituto diz estar adimplente com o Turismo e apto a receber mais recursos.

Em nota, o ministério informou que o diretor Ricardo Martini Moesch não vai se pronunciar "até que o processo administrativo disciplinar seja concluído".

A diretora do IMB, Daniela Bitencourt, disse que a entidade não teve acesso às investigações, mas negou favorecimentos. "O IMB atuou pela capacidade de executar os projetos. Tudo o que foi pactuado foi feito, com qualidade. Não vejo que tenhamos sido privilegiados."

Segundo ela, Moesch nunca teve participação em decisões ou participou como representante em reuniões da entidade. A mãe dele, Norma Moesch, que é bacharel em Turismo e leciona na área, teria pedido afastamento após a nomeação do filho no ministério, mas, até a oficialização da saída, levou tempo. "É possível que ela tenha permanecido", admitiu Daniela, sem especificar o período.

A sindicância não identificou as datas de entrada e saída de Norma do IMB. Mas ela figura como representante da entidade em 2007 - ano da nomeação de Moesch -, 2008 e 2009. A diretora do instituto ponderou que os conselheiros têm pouca interferência no dia a dia do instituto e não recebem remuneração.

A diretora disse que Letícia Affonso, mulher do diretor, prestou serviços revisando os estatutos da entidade. "Isso não é ilegal. O diretor não é um ordenador de despesas", argumentou.

O IMB diz que Tânia Brizzola cumpriu quarentena depois de deixar o ministério. Só depois, teria prestado os serviços ao instituto. Questionada, Daniela não detalhou datas. "Trabalhamos com ela porque é uma pessoa de expressão no mercado", justificou. Tânia e a coordenadora Rosiane Rockenbach não foram localizadas. / F.F.

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